O dia 89 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 18, 2013
quarta-feira, outubro 16, 2013
Inquietude
Ó coração inquieto, deixa-me!
Se nem o eco me responde,
Porque hei-de esperar?
Ó vã esperança, larga-me!
Se nem o vento me ouve,
Porque hei-de sonhar?
Lancinante é o grito da incerteza.
Impaciente, o balanço da
angústia.
Um gesto e parava o tempo.
segunda-feira, outubro 14, 2013
Beja - Hipólito Raposo
Uma das leituras deste Verão foi o "Oferenda" do avô Hipólito Raposo e um dos textos que mais gostei é sobre Beja, cidade que não conhecia.
Ora este fim-de-semana que passou calhou lá ir, a um evento da Real Associação do Baixo Alentejo.
Claro que levei o livro e reli o texto, que é de uma beleza ... Não resisto a pôr aqui um excerto, agora que conheço um pouco a cidade.
Hoje é sobre a torre. Um outro dia, será a vez da parte que fala do cante alentejano.
“…
Ainda de longe, como se Beja fôra galeão a flutuar no oceano das idades
e das planuras, a torre de menagem do Rei-Trovador serve há séculos de mastro
grande para a Bandeira.
Na sua gávea de pedra, ficou a morar espiritualmente, solerte arauto de
portugalidade, tão alto e de mirada tão longa que se mede com a imensidão do
horizonte, para ser ouvido por todos os ossos sepultados na terra e pelas almas
debruçadas dos céus de Portugal.
Torre de almenara e defesa, se por ela subimos, bem compreendemos a
ameaça severa e solene do seu musguento prisma onde os antigos guardaram a
herança do Lidador, para lição e exemplo de todos os lidadores da honra e
glória da lusitana antiga liberdade.
…
Dos seus airosos balcões e do eirado que cobre a última das três
abóbadas, vê-se desenrolar ou apenas se adivinha pelo desnível, a cinta das
velhas muralhas de quarenta torres, lobrigando-se para além, abrumadas pela
tremulina, as terras de Alvito, da Vidigueira, de Cuba, Serpa, Moura,
Aljustrel, essas nobres vilas do alfoz de Beja, olvidadas e sonâmbulas. E
quanto mais os olhos cursam em redor, para muito mais a distância interminàvelmente
se amplia, como se nos cuidados de talhar e aprumar as reluzentes cantarias de
São Brissos, no Rei e nos mestres de pedraria houvesse o impossível desígnio de
alcançar e vencer o horizonte de toda a terra transtagana.
Alta, esbelta e nobre, com traços de lavor amoiriscado a dar graça à
força, a torre do castelo de Beja, irmã das de Bragança e de Estremoz nos
intentos, princesa de muitas outras na robustez e raínha de todas na vastidão
dos domínios, é o orgulho heráldico da cidade e a mais importante das suas
celebradas grandezas.”
Junho-944 – Beja Cantadora - Hipólito Raposo in Oferenda
sexta-feira, outubro 11, 2013
Do Portugal dos pequeninos
O dia 88 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 04, 2013
Do 5 do 10 (II)
O dia 87 no Eternas Saudades do Futuro´
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segunda-feira, setembro 30, 2013
Embarque
Vem comigo!
Espero-te no cais junto à nau.
Só nós dois.
De ventos e rosa nas mãos,
Sulcaremos o mar de nossos avós,
Atlântico abaixo,
Índico acima,
Pacífico adentro,
até nos perdermos,
ou nos acharmos.
30 de Setembro de 2013
A 4 mãos
sexta-feira, setembro 27, 2013
De um dia memorável
O dia 86 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 20, 2013
Das autárquicas
O dia 85 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 13, 2013
Alinhavo
O dia 84 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 06, 2013
Das férias (II)
O dia 83 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 30, 2013
Das papeleiras (ou secretárias)
O dia 82 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, agosto 26, 2013
A Morte de um Homem por António Alçada Baptista
Venho do cemitério de Degracia onde ficou Hipólito Raposo. Apossado da evocação forte da sua figura forte regresso a Lisboa com pancadas de sabor “shakesperiano” na mente:
Este era um Homem.
Outros serão mais agradáveis ou mais astuciosos e por isso agradarão ao mundo.
Mas este era um Homem…
E não é só a tristeza sentimental da muita amizade que tenho por um dos seus filhos. É sobretudo a cortante angústia da minha condição de homem, de homem do século XX, que uma a uma vê cair lições de honrosa verticalidade.
Muitos se impressionarão com o cessar da sua doutrinação. Outros
lamentarão a paragem da sua pena, da sua escrita de mármore. Alguns
condescenderão em chamar-lhe inteligente. Haverá aqueles que se entreolharão
com alívio limpando nos olhos filisteus lágrimas de saudade falsa.
Tudo isso me parece pouco perante o que significa o ter passado mais
um dos poucos Homens que restavam.
Põe-me o meu cepticismo político em extraordinário à vontade para
falar deixando de parte uma paixão que não conheço.
O azul e o branco, o verde e o vermelho passam-me despercebidos
perante qualquer que mostre a marca da nossa condição de filhos de Deus. E mais
que as lições das fórmulas, dos principiozinhos ou dos sistemas, precisa a
nossa geração das lições da Honra.
Queixam-se os povos da míngua dos “stocks”. Querem matérias-primas e
chamam pelos cambiais. E amealham o ouro e os tesouros.
Não reparam como estão vazias a reservas da honra. E é aqui que eu
agradeço a Hipólito Raposo a grande lição que nos deu.
Acabaram-se os signos do zodíaco. O 1º de Janeiro e por aí adiante,
todos os dias tão iguais até ao 31 de Dezembro. Todos sob o signo das coisas,
das fórmulas e das consciências fáceis. Signo do dinheiro fácil, da honra que
deixou a rigidez da Honra para se adaptar mole e flácida às exigências da
comida ou da ambição.
Há uma geração que veio ao mundo nesse signo – e essa é a minha…
Caímos rodeados de uma ideia de se ser alguém que outros atrás não
conheciam. E assistimos à escalada avassaladora dos que se impõem e que se
apontam ao mundo em exemplos de “novas” virtudes cívicas.
E a todos nós percorre a tentação…
E a consciência quer actualizar-se…
É quando a figura de Hipólito Raposo surge e nos segura.
É quando aparece o Homem para quem o dever era estrada dura de
sacrifício. Conheceu o mundo e nele viveu e nunca se tentou…
Coberto pela bandeira do Integralismo Lusitano, a mesma que cobria
António Sardinha, Hipólito Raposo seguiu da capela da sua quinta.
A rodeá-lo os seu amigos fiéis: Monsaraz, Pequito Rebelo, Luís Almeida
Braga, Semião Pinto de Mesquita, Luís Cabral de Moncada, D. José Ferrão.
Depois Fernando Amado, a representar os poucos de uma geração que se
perdeu.
A seguir meia dúzia de novos que quiseram receber mais uma lição.
Finalmente o povo, mulheres do campo, homens do campo, em alas
abertas, com velas acesas e máscaras de tragédia…
Hipólito Raposo ficou no cemitério de Degracia, no cimo do outeiro,
rodeado de eucaliptos e pinheirais.
Ao viandante deve dizer-se: Ele está ali.
E este era um Homem. Outros foram mais agradáveis ou mais astuciosos e
por isso agradaram ao mundo. Mas este era um Homem.
Lisboa, 28-08-53
ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA in revista Cidade Nova
Nota: O avô José Hipólito Raposo morreu a 26/08/53, passando hoje 60 anos sobre a sua morte. No mesmo dia, em 1974, morria o seu filho mais velho, João.
Recomeço?
Este blogue está a ficar uma seca. Só ligações para o que escrevo noutro blogue.
Não é nada como o imaginava.
Queria um blogue bonito.
Só fotografias lindíssimas, boa música e palavras, essencialmente de outros.
O Belo.
Tenho de ocupar esta casa ilegalmente. Não gosto quando não é belo.
Não é nada como o imaginava.
Queria um blogue bonito.
Só fotografias lindíssimas, boa música e palavras, essencialmente de outros.
O Belo.
Tenho de ocupar esta casa ilegalmente. Não gosto quando não é belo.
sexta-feira, agosto 23, 2013
Do horror
O dia 81 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/08/carteira-de-senhora_23.html
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sexta-feira, agosto 16, 2013
Dos meus Pais
O dia 80 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/08/carteira-de-senhora_16.html
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sexta-feira, agosto 09, 2013
De aflições
O dia 79 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 02, 2013
De Agosto
O dia 78 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 19, 2013
Do "acordo" (2)
O dia 76 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 12, 2013
A carta
O dia 75 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 05, 2013
Encenações e figurantes
O dia 74 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 28, 2013
Do poder, hoje
O dia 73 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/06/carteira-de-senhora_28.html
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sexta-feira, junho 21, 2013
Do tempo
O dia 72 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 14, 2013
Da dignidade
O dia 71 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 07, 2013
Dos sofredores em silêncio
O dia 70 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 31, 2013
Do sentido da vida (Título do João Marchante)
O dia 69 no Eternas Saudades do Futuro
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domingo, maio 26, 2013
A espera
Demoras!
E na demora,
Ao sol de Ítaca
Vai Penélope tecendo,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Ainda demoras!
E na demora,
Ao luar de Ítaca
Vai Penélope desfiando,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Mas demoras!
E na demora,
Levou o tempo memórias.
Linha a linha
Penélope vai tecendo
Outra face no tear.
Mas eterno permanece o olhar.
Poema a quatro mãos
Maio de 2013
Ao sol de Ítaca
Vai Penélope tecendo,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Ainda demoras!
E na demora,
Ao luar de Ítaca
Vai Penélope desfiando,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Mas demoras!
E na demora,
Levou o tempo memórias.
Linha a linha
Penélope vai tecendo
Outra face no tear.
Mas eterno permanece o olhar.
Poema a quatro mãos
Maio de 2013
sexta-feira, maio 24, 2013
Da Ilha
O dia 68 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/05/carteira-de-senhora_24.html
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sexta-feira, maio 17, 2013
Das causas
O dia 67 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 10, 2013
Das redes sociais (3)
O dia 66 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 03, 2013
Das raízes
O dia 65 nas Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 26, 2013
Do dia 25 de Abril
O dia 64 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, abril 22, 2013
sexta-feira, abril 19, 2013
Do estar fora
O dia 63 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 12, 2013
De um Mestre
O dia 62 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 05, 2013
Das redes sociais (2)
O dia 61 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, abril 01, 2013
Círculo
Em círculos, às vezes em elipses, não saio dali.
Uma vez por outra caminho pelo raio, em passos milimétricos, e depois completo todo o perímetro a passo de corrida. Sempre 2πr. Sem falhas.
Saindo do raio, a área à disposição tem o horizonte πr^2 . Como se não soubesse. Uma combinação perfeita de π, raio e o número dois. Bonita, mas sufocante. Já chega. Quero sair.
Nunca disse, mas já fui espreitar lá fora. O mundo dos triângulos e o dos quadriláteros. Igualmente interessantes, não tão bonitos mas mais do mesmo, com outros perímetros e outras áreas.
Quero um mundo sem perímetros. De áreas infinitas.
Arranjo um mapa e fujo.
Uma vez por outra caminho pelo raio, em passos milimétricos, e depois completo todo o perímetro a passo de corrida. Sempre 2πr. Sem falhas.
Saindo do raio, a área à disposição tem o horizonte πr^2 . Como se não soubesse. Uma combinação perfeita de π, raio e o número dois. Bonita, mas sufocante. Já chega. Quero sair.
Nunca disse, mas já fui espreitar lá fora. O mundo dos triângulos e o dos quadriláteros. Igualmente interessantes, não tão bonitos mas mais do mesmo, com outros perímetros e outras áreas.
Quero um mundo sem perímetros. De áreas infinitas.
Arranjo um mapa e fujo.
domingo, março 31, 2013
sexta-feira, março 29, 2013
Ecce Homo
Há-de ser sempre este.
sexta-feira, março 22, 2013
Da Europa (3)
O dia 60 no Eternas Saudades do Futuro:
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/03/carteira-de-senhora_22.html
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sexta-feira, março 15, 2013
Das redes sociais
O dia 59 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/03/carteira-de-senhora_15.html
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sexta-feira, março 08, 2013
Do tempo
O dia 58 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/03/carteira-de-senhora_8.html
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sexta-feira, março 01, 2013
Receita
O dia 57 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/03/carteira-de-senhora.html
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sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Do país das carteiras
O dia 56 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Voo
Se me negas as asas,
terei de voar sozinha.
Não tenho medo, toma nota.
Teria se não fosse capaz.
Espera o amanhecer e verás
num qualquer azul,
tão azul
que rebentará em estrelas,
o Voo.
Picado primeiro,
depois manso no baloiço das brisas.
Não volto.
15/02/13
Do Papa
O dia 55 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 01, 2013
Da morte do Rei
O dia 53 no Eternas Saudades do Futuro
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quarta-feira, janeiro 30, 2013
Última carta à minha ex-operadora de telecomunicações
Ex-Cliente nº ....
V/Ref. ......
Lisboa, 29 de Janeiro
de 2013
Exmo. Senhor xxxxxxx,
Tendo recebido a s/carta de
23/01/13 ontem dia 28, percebi que deseja ardentemente manter correspondência
com a minha pessoa, e eu, entusiasmada com essa demonstração carinhosa, não
posso deixar de responder. Sendo a terceira vez que escrevo, o namoro corre
sérios riscos de se tornar noivado. Aliás fiquei muitíssimo bem impressionada
pelo facto de não ter sido aplicado nessa carta um tal de “acordo” que
considero abjecto.
Podia utilizar a já célebre
expressão de uma grande senhora entretanto falecida, “Você sabe que eu sei que
você sabe que eu sei”, mas nem é preciso.
Em s/poder tem o original (e no
meu a cópia) do comprovativo do envio e recepção do fax enviado a 14/12/12, com
a denúncia do contrato e todos os documentos necessários. Terminou pois o
contrato a 31/12/12, e não a 31/01/13, como tão insistentemente quer fazer
crer. Por isso, estou a considerar essa extensão uma liberalidade vossa, muito
simpática, aliás.
Aguardo que façam a recolha do
equipamento, porquanto há um cabo instalado pelos vossos serviços que não
consigo retirar sem o cortar, e se há coisa que não pretendo é danificar seja o
que for. Estragaria a nossa relação.
Também apreciei a última parte da
carta, em que simpaticamente se põe à minha disposição todos os dias, 24 horas
por dia, através de uns “contactos indicados abaixo”, mas fiquei desiludida
porquanto parece que os tais contactos afinal não querem ser contactados e
fugiram do papel.
Com os melhores cumprimentos,
Leonor Martins de Carvalho
sexta-feira, janeiro 25, 2013
Um ano de crónicas
O dia 52 no Eterna Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2013/01/carteira-de-senhora_25.html
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sexta-feira, janeiro 18, 2013
De Lisboa
O dia 51 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, janeiro 11, 2013
Da mudança de nomes
O dia 50 no Eternas Saudades de Futuro
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sexta-feira, janeiro 04, 2013
Da esperança
O dia 49 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, dezembro 28, 2012
Do balanço
O dia 48 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/12/carteira-de-senhora_28.html
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terça-feira, dezembro 25, 2012
O presente
Permite-me que te dê uma palavra,
Bem embrulhada em papel colorido
E com fita a preceito.
É o meu presente.
Desembrulha,
Mas com cuidado.
Pode-se partir.
Leonor Raposo
25/12/12
sexta-feira, dezembro 21, 2012
Do Natal
O dia 47 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, dezembro 14, 2012
Do "acordo"
O dia 46 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/12/carteira-de-senhora_14.html
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sexta-feira, dezembro 07, 2012
Dos livros
O dia 45 no Eternas Saudades do Futuro
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domingo, dezembro 02, 2012
A carta
“…És as minhas asas. Vens voar?”
Pousou a caneta de tinta
permanente que o acompanhava sempre, presente do seu querido avô pelo exame da
quarta classe, e suspirou.
Levara uma noite sem horas, mil
noites sem horas, mas finalmente chegara ao fim. Aquilo era A carta. Decidiu-se
a reler e, aliviado, dobrou o papel, meteu-o no sobrescrito sóbrio, e fechou-o.
E agora? Comprava flores para
acompanhar a sua alma? Quando finalmente tinha decidido imprimir em papel o que
há anos estava impresso na sua pele, no seu corpo, na sua mente, não se
conseguia decidir. Nunca tinha pensado que haveria outras coisas para decidir. O
importante era a carta. Sempre fora.
A princípio achara ridículo
escrever uma carta. Aliás nem pensara em escrever nada. Nem pensara. Os
sentimentos tinham-se instalado sem licença, comodamente e sem barulho. Umas
pequenas ânsias de vez em quando e era tudo. Quando dera por ele, já não
conseguia desalojar o que sentia.
Depois, quis descartar. Era coisa
impossível, ela rir-se-ia, não tinha futuro... Tinha de esquecer. Mas à parte
as temporadas em que se embrenhava totalmente nos seus hobbies, não conseguia.
Qualquer coisa lhe prendia a voz
e não conseguia dizer-lhe nada que não fosse trivial. Tentava uma aproximação
mas desistia.
Foi então que decidiu
escrever-lhe. À antiga. Uma declaração de amor, pronto. Mas as palavras não se
alinhavam como queria, pareciam-lhe ora ocas ora demasiado fugidias, e por isso
ia adiando o sentar-se à secretária.
Quando finalmente se sentou à
frente do papel de carta, olhava e não escrevia. Como se escrever fosse matar o
que sentia. Habituou-se àquelas horas sentado a olhar para um papel em branco.
Quando se resolveu a pegar na
caneta, as palavras eram tão tontas que as rasurava com todas as forças. Cheio
o papel de palavras tontas, acabava por desistir e transformava-as em bolas que rodeavam o cesto dos papéis. Basquetebol nunca fora o seu forte.
Recomeçava sempre. Já que
começara…
Havia dias em que olhava pela
janela, via a mudança das estações nas poucas árvores que tinha direito a ver,
e duvidava… Largava a caneta, raivoso e questionava o que sentia. Vale a pena?
Atacara o branco como se o
quisesse matar. De amor.
Agora estava ali. Conseguira
escrever o que nunca conseguira dizer e gostava do que lia.
Decidiu-se por simples margaridas
porque rosas encarnadas, não.
Mandou a florista entregar na
morada certa e a custo deu-lhe o sobrescrito.
No dia seguinte, ela respondeu-lhe.
No jornal, secção da necrologia.
Leonor Raposo
Leonor Raposo
sexta-feira, novembro 30, 2012
Do 1º de Dezembro
O dia 44 no Eternas Saudades do Futuro
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sábado, novembro 24, 2012
Da saudade
O dia 43 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, novembro 16, 2012
Do património
O dia 42 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, novembro 09, 2012
Dos valores e da política
O dia 41 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, novembro 02, 2012
Do acordar
O dia 40 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 26, 2012
Dos aviões
O dia 39 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 19, 2012
Fábula?
O dia 38 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 12, 2012
Da idade terceira?
O dia 37 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 05, 2012
Do 5 do 10
O dia 36 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 28, 2012
Da Europa (II)
O dia 35 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 21, 2012
Dos restaurantes
O dia 34 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, setembro 17, 2012
Reflexos
Sempre se sentira desamada. Mais mal-amada, talvez. Ou menos
amada do que amava. Não sabia bem explicar.
Sofregamente procurava o olhar dos outros em busca da
palavra maldita. Em todos ansiava ver esse amor que jurava nunca ter conhecido. Sofregamente queria tudo, mesmo o fingido. Sobretudo o fingido. E
perdia-se.
Até o espelho entrava nesse jogo do desamor. Daí a colecção
de espelhos. Procurava-os nas lojas, feiras e antiquários tão sofregamente como procurava os olhares.
Quando chegava ao seu apartamento com uma nova compra,
pendurava-a, sempre no mesmo prego, colocado de propósito no quarto para esse
fim. Depois, afastava-se um pouco e fechava os olhos. Uns segundos infinitos de desassossego depois, reabria-os, expectante da surpresa de finalmente se encontrar. Amada.
Não, aquele ainda não. Nunca era... Meio conformada mas angustiada, acabava por empilhá-los um a um no chão, encostados às paredes, a aguardar aquele dia. O da libertação.
Quando estava sozinha, doía, mas doía tanto… Uma dor difusa, uma desinquietação entre o pescoço e a pélvis, que apertava, apertava tanto... Enchia-se então de
ben-u-rons, arranjava um saquinho de água quente, e sem saber porquê surgia-lhe a ideia estranha de que a
dor da solidão era afinal quase gémea da que sentia quando estava a apaixonar-se.
Ontem encontrara um olhar. Não era fingido, pensou, talvez
este…
Olhava agora a cama com um sorriso doce. Fechou cuidadosamente a porta e
saiu para comprar um espelho.
sexta-feira, setembro 14, 2012
De política e partidos
O dia 33 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 07, 2012
De notícias
O dia 32 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 31, 2012
Do Alentejo, do campo e dos urbanos
O dia 31 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 24, 2012
Da revolta
O dia 30 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 17, 2012
Das férias
O dia 29 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 10, 2012
Da Tall Ships Race
O dia 28 no Eternas Saudades do Futuro
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sábado, agosto 04, 2012
Grito
Se um dia contasse a sua
história, começaria assim, num dia cinzento. Não que ele o seja, mas o
destino o ditou ou, para dizer a verdade, porque me apeteceu.
Nesse dia, o tal cinzento, com pequenos rasgos prometendo o fatal azul da tarde, saíra cedo de casa sem hesitações em direcção ao campo. Gostava de o ver pela fresca,
pontilhado pelo orvalho.
Parou na berma da estrada junto a uma seara de trigo. Já era a única na região. Chamara-lhe sua, dera-lhe um nome dos seus, porque era uma sobrevivente, como ele da guerra.
Saiu do carro e meteu-se seara adentro, sem rumo nem leme. As cigarras calavam-se, respeitando a medida dos seus passos. Até que foi ilha no meio daquele mar. Uns corvos levantaram voo grasnando, com medo da ilha.
Saiu do carro e meteu-se seara adentro, sem rumo nem leme. As cigarras calavam-se, respeitando a medida dos seus passos. Até que foi ilha no meio daquele mar. Uns corvos levantaram voo grasnando, com medo da ilha.
Ali parado e vieram a correr cores, cheiros, sons, todos seus, mas que por ali andavam à rédea solta.
Enquanto caminhara até ao meio da
seara, os pensamentos do mundo, o outro, não o largaram, reclamando aos gritos, sem cessar, direitos exclusivos de espaço, talvez intuindo o seu iminente despejo.
Enfim chegara o vazio. Recomeçaria, na mudez da seara.
Devagar, começou por pronunciar em silêncio o seu nome. Mastigado. Deu-lhe depois voz, em sussurro, e continuou, em crescendo, até gritar bem alto o seu eu, esperando eco.
Retomado o silêncio, pronunciou o nome dela. Sem mastigar. Repetiu o processo até o grito lhe sair da garganta.
Foi então que voltaram os corvos.
Enfim chegara o vazio. Recomeçaria, na mudez da seara.
Devagar, começou por pronunciar em silêncio o seu nome. Mastigado. Deu-lhe depois voz, em sussurro, e continuou, em crescendo, até gritar bem alto o seu eu, esperando eco.
Retomado o silêncio, pronunciou o nome dela. Sem mastigar. Repetiu o processo até o grito lhe sair da garganta.
Foi então que voltaram os corvos.
sexta-feira, agosto 03, 2012
Do orgulho
O dia 27 no Eternas Saudades do Futuro.
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sexta-feira, julho 27, 2012
Do meio aniversário
O dia 26 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 20, 2012
De alguns defeitos e virtudes dos portugueses
O dia 25 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, julho 16, 2012
A exposição na Junta
Há uns meses, não muitos, aconteceu uma exposição de fotografias em aldeia remota no Alentejo. Na Junta de Freguesia, uma casa minúscula à Estado Novo, barra de ocre a toda a volta e arco à entrada a dar sombra, nem mais nem menos do que uma das Juntas condenada à extinção sem remorsos pelo governo central. Isto depois de matarem a escola, a extensão do Centro de saúde... Um dia ainda tiram as festas de Agosto. Não sei o que virá a ser da casa e não percebo a poupança que fazem neste caso. Adiante.
À porta um letreiro mandava-nos ir buscar a chave ao café em frente. Assim fizemos, aproveitando para tomar o dito em converseta amena à volta daquelas mesas redondas que mal chegam para uma pessoa mas têm três cadeiras à volta, pelo que só metade de cada corpo chega à mesa, de perfil, uns novos hieróglifos à alentejana.
Lá levámos a chave, presa a qualquer coisa verde, talvez um crocodilo em miniatura, não sei, porque quando se trata de verde quero é esquecer.
Era uma exposição de retratos de alguns habitantes da aldeia, especialmente dos mais velhos, sózinhos e em casal, tiradas por um filho da terra com a máquina antiga do pai. Uma delícia os retratos, alguns mesmo muito bons.
Logo à entrada apareceu um dos retratados a quem pedimos que fizesse de guia e nos fosse identificando quem era quem. Não se fez rogado e começou:
- Este é o Zé, este o Manel, esta é a do Zé, esta é a do Manel...
- Ó homem, então as mulheres não têm nome?
Na verdade achara graça, mas ao mesmo tempo encanitara-me o olvido. Parou espantado, franzindo a testa. Acho que nunca tinha pensado nisso, aquilo saía-lhe naturalmente. Recomeçou e fez um esforço.
- Este é o Zé mais a - uns segundos - Joaquina. Este aqui é o Manel mais a - uns segundos - a, a, Beatriz.
Não aguentou muito mais. As outras continuaram a ser "as dos" respectivos.
Nada a fazer.
Na verdade achara graça, mas ao mesmo tempo encanitara-me o olvido. Parou espantado, franzindo a testa. Acho que nunca tinha pensado nisso, aquilo saía-lhe naturalmente. Recomeçou e fez um esforço.
- Este é o Zé mais a - uns segundos - Joaquina. Este aqui é o Manel mais a - uns segundos - a, a, Beatriz.
Não aguentou muito mais. As outras continuaram a ser "as dos" respectivos.
Nada a fazer.
sexta-feira, julho 13, 2012
Da verdade e da mentira
O dia 24 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 06, 2012
Da competência
O dia 23 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 29, 2012
Da "silly season"
O dia 22 no Eternas Saudades do Futuro
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quarta-feira, junho 27, 2012
Hoje, os olhos
de todos os portugueses estarão postos em vós, e vêm-nos à memória ecos da
nossa história antiga: Atoleiros, Aljubarrota, primeiro de Dezembro de 1640…
Sois herdeiros dessa brava gente
cuja vontade férrea moldou Portugal. Sois herdeiros desses avós egrégios que
ireis cantar antes do jogo.
Como eles esperamos que sejam
bravos, que não se deixem esmorecer, que lutem até ao fim, levantando bem alto
o nome da nossa Pátria, da nossa gente.
Basta-nos isso e estaremos
convosco em todas as horas. Nas vitórias e nas derrotas.
Vamos a eles!
sexta-feira, junho 22, 2012
Sem título
O dia 21 no Eternas Saudades do Futuro
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domingo, junho 17, 2012
sexta-feira, junho 15, 2012
Do futebol
O dia 20 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 08, 2012
Vernissage
O dia 19 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 01, 2012
Imagino-te a escreveres-me cartas
de amor.
Cuidadosamente escolhes as
palavras enquanto brincas com a caneta.
Tinta permanente.
Cuidadosamente dobras o papel em
três,
desdobras para reler,
tornas a dobrar.
Cuidadosamente o papel dobrado em
três
desliza para dentro do
sobrescrito.
Cuidadosamente escreves-te como
remetente.
Cuidadosamente escreves a morada
da destinatária.
Descuidadamente não é a minha.
01/06/12
Do destino
O dia 18 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 25, 2012
Das máquinas
O dia 17 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/05/carteira-de-senhora_25.html
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sexta-feira, maio 18, 2012
O ego quoque faz 8 anos
Oito anos mas não consecutivos....
Houve anos só com duas entradas e um ano não teve mesmo direito a nenhuma.
Nesse primeiro dia, 18 de Maio de 2004, começou assim:
http://egoquoque.blogspot.pt/2004/05/comecei.html
http://egoquoque.blogspot.pt/2004/05/o-que-vai-ser.html
Da memória
O dia 16 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/05/carteira-de-senhora_18.html
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/05/carteira-de-senhora_18.html
sexta-feira, maio 11, 2012
Do ofício de escrever cartas?
O dia 15 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/05/carteira-de-senhora_11.html
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sexta-feira, maio 04, 2012
Europa
O dia 14 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 27, 2012
Do cabeleireiro
O dia 13 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 20, 2012
Da grei
O dia 12 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/04/carteira-de-senhora_20.html
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terça-feira, abril 17, 2012
Dizei-me!
Dizei-me!
O que podemos fazer para deter
esta insanidade que tomou de assalto Portugal há anos antes que nos destrua
por completo?
Disseram-nos que é pelo voto que
mandamos e mudamos.
Votei. Votámos.
Não ouço lá a minha voz nem a de
muitos.
Disseram-nos que temos liberdade
de nos manifestar.
Estive em várias manifestações. Estivemos.
Não ligam, por maiores que sejam.
Disseram-nos que temos liberdade
de expressão.
Usamo-la todos os dias e alguns (poucos) jornalistas e pensadores denunciam e alertam.
Não ouvem.
As liberdades são todas ilusórias. Têm-nas uns poucos. Há liberdade apenas para roubar, trair e mentir.
Então, o que é que neste sistema político nos permite sermos ouvidos?
Então, o que é que neste sistema político nos permite sermos ouvidos?
Dizei-me!
O sistema é um mero jogo insidiosamente viciado, espartilhado, que invoca o perigo de
envenenamento para que ninguém fora dos partidos possa alguma vez interferir
na panela.
O que existe?
Dizei-me!
Uma ILC? Que lei se proporia na ILC, uma armadilha que, a final, vai ser sujeita à
aprovação dos mesmos? Só com 10 milhões de assinaturas se poderia pensar que ela fosse tida em conta...
Como foi possível não darmos por
isso e não resistirmos perante este divórcio litigioso entre povo e país? Um
divórcio agravado, pois bem vemos que o povo vive num planeta e o poder noutro.
Que faço? Que fazemos? Não quero mais sentir-me impotente. Não quero fingir que nada se passa. Não basta a revolta que nos revolve as entranhas.
Dizei-me!
Não posso ficar de braços cruzados assistindo à morte do meu
País. Salvem-no!
Como?
Alguém que me (nos) ajude, depressa. Tenho medo de desistir.
Dizei-me!
domingo, abril 15, 2012
Sílabas
Num tom que não admitia
contestação, declarei do alto dos meus três anos que queria ler. Não me lembro
da resposta mas deve ter soado a hesitação porque não mais larguei o assunto
até forçar uma rendição total.
Comecei então a ver a mãe a
recortar fotografias de revistas e a guardá-las. Intrigou-me, aquele mistério.
Parecia uma brincadeira que me estava vedada, e olhava entre o curiosa e o
zangada aqueles recortes coloridos. Até que um dia percebi: do desvelo de mãe saiu
um dossier pequeno, com algumas folhas
brancas. Nestas, cuidadosamente seleccionados estavam colados os tais recortes
de revistas e, à frente de cada boneco, uma letra.
Finalmente ia ler! Sofregamente
absorvi as letras e depois as sílabas, obrigando a desesperada mãe a pensar em
palavras que pudesse construir com o já aprendido e voltar às revistas para
encontrar os bonecos adequados. Ainda me lembro da folha que tinha um cavalo. Já
na altura era uma paixão, e o conseguir ler o nome da coisa amada comoveu-me. Tinha
conseguido! O dossier foi aproveitado para o irmão seguinte, mas o interesse
não era o mesmo, e quando chegava ao cavalo, olhava para a mãe com ar
triunfante e dizia sempre: Égua! Acho que ficou por ali.
Em casa da avó, na Rua de S. Ciro
ou no Alentejo, a mãe conseguia descansar um pouco da minha impaciência e dava
lugar à avó. Sentadas à camilha, eu numa cadeira com várias almofadas que me
faziam ter os pés ainda mais longe do chão, começava a lição. A avó pegava num
livro qualquer e com o seu vagaroso dedo indicador ia apontando as palavras que
eu tinha de ler e das quais não tinha a mínima ideia o que significavam. Eram
sílabas. Lindas. Uma vitória saborosa. De vez em quando, aquele carinhoso dedo enrugado
tapava as minhas sílabas e eu, chorosa, chamava a mãe em meu auxílio: Ó mãe, a
avó não me deixa ler!
Pouco a pouco deixaram-me à
solta, e aos cinco, lia os livros da Enid Blyton, “Os Cinco”, não percebendo
metade e perguntava sempre à mãe o que era “um fim emocionante”.
Em casa da mãe havia tudo. Pude
ir devorando sílabas. Portuguesas primeiro, mais tarde as francesas e inglesas.
Passaram também a ser minhas, estas.
Num dos escritórios no Alentejo estavam
os livros mais infantis, os da Condessa de Ségur, com gravuras e ortographia da
época. Minha querida Sophia, como sofri com os teus desastres!
Na sala havia uma pequena estante
com livros fascinantes que me acompanharam vida fora. Na prateleira de baixo
estavam os livros de estudo da minha avó e tias-avós, e os que serviram também
a mãe e tios. Passei férias inteiras a aprender francês, inglês, história e
geografia em livros do séc. XIX ou princípios do séc. XX, cujos exercícios
passava para um caderno comprado na vila.
Já mais velha lia os da
prateleira de cima, romances cor-de-rosa, como “John chauffeur russo” ou “Água
pela barba”. As histórias das meninas pobres e príncipes ou vice-versa,
repetidas à exaustão com diferenças que nos davam a ilusão de ser uma outra
história, quando afinal era a mesma…
Ainda hoje, quando entro nessa
sala, o meu olhar se vira para a estante, onde estão os livros que contêm as
minhas sílabas. Ainda lá estão, elas. Bem guardadas.
sexta-feira, abril 13, 2012
Da ida à terra
O dia 11 no Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.pt/2012/04/carteira-de-senhora.html
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