terça-feira, dezembro 25, 2012

O presente


Permite-me que te dê uma palavra,
Bem embrulhada em papel colorido
E com fita a preceito.
É o meu presente.
Desembrulha,
Mas com cuidado.
Pode-se partir.

Leonor Raposo 
25/12/12

domingo, dezembro 02, 2012

A carta

“…És as minhas asas. Vens voar?”
Pousou a caneta de tinta permanente que o acompanhava sempre, presente do seu querido avô pelo exame da quarta classe, e suspirou.
Levara uma noite sem horas, mil noites sem horas, mas finalmente chegara ao fim. Aquilo era A carta. Decidiu-se a reler e, aliviado, dobrou o papel, meteu-o no sobrescrito sóbrio, e fechou-o.
E agora? Comprava flores para acompanhar a sua alma? Quando finalmente tinha decidido imprimir em papel o que há anos estava impresso na sua pele, no seu corpo, na sua mente, não se conseguia decidir. Nunca tinha pensado que haveria outras coisas para decidir. O importante era a carta. Sempre fora.
A princípio achara ridículo escrever uma carta. Aliás nem pensara em escrever nada. Nem pensara. Os sentimentos tinham-se instalado sem licença, comodamente e sem barulho. Umas pequenas ânsias de vez em quando e era tudo. Quando dera por ele, já não conseguia desalojar o que sentia.
Depois, quis descartar. Era coisa impossível, ela rir-se-ia, não tinha futuro... Tinha de esquecer. Mas à parte as temporadas em que se embrenhava totalmente nos seus hobbies, não conseguia.
Qualquer coisa lhe prendia a voz e não conseguia dizer-lhe nada que não fosse trivial. Tentava uma aproximação mas desistia.
Foi então que decidiu escrever-lhe. À antiga. Uma declaração de amor, pronto. Mas as palavras não se alinhavam como queria, pareciam-lhe ora ocas ora demasiado fugidias, e por isso ia adiando o sentar-se à secretária.
Quando finalmente se sentou à frente do papel de carta, olhava e não escrevia. Como se escrever fosse matar o que sentia. Habituou-se àquelas horas sentado a olhar para um papel em branco.
Quando se resolveu a pegar na caneta, as palavras eram tão tontas que as rasurava com todas as forças. Cheio o papel de palavras tontas, acabava por desistir e transformava-as em bolas que rodeavam o cesto dos papéis. Basquetebol nunca fora o seu forte.
Recomeçava sempre. Já que começara…
Havia dias em que olhava pela janela, via a mudança das estações nas poucas árvores que tinha direito a ver, e duvidava… Largava a caneta, raivoso e questionava o que sentia. Vale a pena?
Atacara o branco como se o quisesse matar. De amor.
Agora estava ali. Conseguira escrever o que nunca conseguira dizer e gostava do que lia.
Decidiu-se por simples margaridas porque rosas encarnadas, não.
Mandou a florista entregar na morada certa e a custo deu-lhe o sobrescrito.
No dia seguinte, ela respondeu-lhe. 
No jornal, secção da necrologia.

Leonor Raposo

sexta-feira, novembro 30, 2012

sábado, novembro 24, 2012

segunda-feira, setembro 17, 2012

Reflexos


Sempre se sentira desamada. Mais mal-amada, talvez. Ou menos amada do que amava. Não sabia bem explicar.
Sofregamente procurava o olhar dos outros em busca da palavra maldita. Em todos ansiava ver esse amor que jurava nunca ter conhecido. Sofregamente queria tudo, mesmo o fingido. Sobretudo o fingido. E perdia-se.
Até o espelho entrava nesse jogo do desamor. Daí a colecção de espelhos. Procurava-os nas lojas, feiras e antiquários tão sofregamente como procurava os olhares. 
Quando chegava ao seu apartamento com uma nova compra, pendurava-a, sempre no mesmo prego, colocado de propósito no quarto para esse fim. Depois, afastava-se um pouco e fechava os olhos. Uns segundos infinitos de desassossego depois, reabria-os, expectante da surpresa de finalmente se encontrar. Amada. 
Não, aquele ainda não. Nunca era... Meio conformada mas angustiada, acabava por empilhá-los um a um no chão, encostados às paredes, a aguardar aquele dia. O da libertação.
Quando estava sozinha, doía, mas doía tanto… Uma dor difusa, uma desinquietação entre o pescoço e a pélvis, que apertava, apertava tanto... Enchia-se então de ben-u-rons, arranjava um saquinho de água quente, e sem saber porquê surgia-lhe a ideia estranha de que a dor da solidão era afinal quase gémea da que sentia quando estava a apaixonar-se.
Ontem encontrara um olhar. Não era fingido, pensou, talvez este… 
Olhava agora a cama com um sorriso doce. Fechou cuidadosamente a porta e saiu para comprar um espelho.

sábado, agosto 04, 2012

Grito


Se um dia contasse a sua história, começaria assim, num dia cinzento. Não que ele o seja, mas o destino o ditou ou, para dizer a verdade, porque me apeteceu.
Nesse dia, o tal cinzento, com pequenos rasgos prometendo o fatal azul da tarde, saíra cedo de casa sem hesitações em direcção ao campo. Gostava de o ver pela fresca, pontilhado pelo orvalho.
Parou na berma da estrada junto a uma seara de trigo. Já era a única na região. Chamara-lhe sua, dera-lhe um nome dos seus, porque era uma sobrevivente, como ele da guerra.
Saiu do carro e meteu-se seara adentro, sem rumo nem leme. As cigarras calavam-se, respeitando a medida dos seus passos. Até que foi ilha no meio daquele mar. Uns corvos levantaram voo grasnando, com medo da ilha. 
Ali parado e vieram a correr cores, cheiros, sons, todos seus, mas que por ali andavam à rédea solta. 
Enquanto caminhara até ao meio da seara, os pensamentos do mundo, o outro, não o largaram, reclamando aos gritos, sem cessar, direitos exclusivos de espaço, talvez intuindo o seu iminente despejo.
Enfim chegara o vazio. Recomeçaria, na mudez da seara. 
Devagar, começou por pronunciar em silêncio o seu nome. Mastigado. Deu-lhe depois voz, em sussurro, e continuou, em crescendo, até gritar bem alto o seu eu, esperando eco.
Retomado o silêncio, pronunciou o nome dela. Sem mastigar. Repetiu o processo até o grito lhe sair da garganta.
Foi então que voltaram os corvos.

segunda-feira, julho 16, 2012

A exposição na Junta

Há uns meses, não muitos, aconteceu uma exposição de fotografias em aldeia remota no Alentejo. Na Junta de Freguesia, uma casa minúscula à Estado Novo, barra de ocre a toda a volta e arco à entrada a dar sombra, nem mais nem menos do que uma das Juntas condenada à extinção sem remorsos pelo governo central. Isto depois de matarem a escola, a extensão do Centro de saúde... Um dia ainda tiram as festas de Agosto. Não sei o que virá a ser da casa e não percebo a poupança que fazem neste caso. Adiante.
À porta um letreiro mandava-nos ir buscar a chave ao café em frente. Assim fizemos, aproveitando para tomar o dito em converseta amena à volta daquelas mesas redondas que mal chegam para uma pessoa mas têm três cadeiras à volta, pelo que só metade de cada corpo chega à mesa, de perfil, uns novos hieróglifos à alentejana.
Lá levámos a chave, presa a qualquer coisa verde, talvez um crocodilo em miniatura, não sei, porque quando se trata de verde quero é esquecer.
Era uma exposição de retratos de alguns habitantes da aldeia, especialmente dos mais velhos, sózinhos e em casal, tiradas por um filho da terra com a máquina antiga do pai. Uma delícia os retratos, alguns mesmo muito bons.
Logo à entrada apareceu um dos retratados a quem pedimos que fizesse de guia e nos fosse identificando quem era quem. Não se fez rogado e começou:
- Este é o Zé, este o Manel, esta é a do Zé, esta é a do Manel...
- Ó homem, então as mulheres não têm nome?
Na verdade achara graça, mas ao mesmo tempo encanitara-me o olvido. Parou espantado, franzindo a testa. Acho que nunca tinha pensado nisso, aquilo saía-lhe naturalmente. Recomeçou e fez um esforço.
 - Este é o Zé mais a - uns segundos - Joaquina. Este aqui é o Manel mais a - uns segundos - a, a, Beatriz.
Não aguentou muito mais. As outras continuaram a ser "as dos" respectivos.
Nada a fazer. 

quarta-feira, junho 27, 2012




Hoje, os olhos de todos os portugueses estarão postos em vós, e vêm-nos à memória ecos da nossa história antiga: Atoleiros, Aljubarrota, primeiro de Dezembro de 1640…

Sois herdeiros dessa brava gente cuja vontade férrea moldou Portugal. Sois herdeiros desses avós egrégios que ireis cantar antes do jogo.

Como eles esperamos que sejam bravos, que não se deixem esmorecer, que lutem até ao fim, levantando bem alto o nome da nossa Pátria, da nossa gente.

Basta-nos isso e estaremos convosco em todas as horas. Nas vitórias e nas derrotas.


Vamos a eles!


sexta-feira, junho 01, 2012


Imagino-te a escreveres-me cartas de amor.
Cuidadosamente escolhes as palavras enquanto brincas com a caneta.
Tinta permanente.
Cuidadosamente dobras o papel em três,
desdobras para reler,
tornas a dobrar.
Cuidadosamente o papel dobrado em três
desliza para dentro do sobrescrito.
Cuidadosamente escreves-te como remetente.
Cuidadosamente escreves a morada da destinatária.
Descuidadamente não é a minha.

01/06/12



Do destino

O dia 18 no Eternas Saudades do Futuro

http://do-futuro.blogspot.pt/2012/06/carteira-de-senhora.html

terça-feira, abril 17, 2012

Dizei-me!


Dizei-me!
O que podemos fazer para deter esta insanidade que tomou de assalto Portugal há anos antes que nos destrua por completo?
Disseram-nos que é pelo voto que mandamos e mudamos.
Votei. Votámos. 
Não ouço lá a minha voz nem a de muitos.
Disseram-nos que temos liberdade de nos manifestar.
Estive em várias manifestações. Estivemos.
Não ligam, por maiores que sejam.
Disseram-nos que temos liberdade de expressão.
Usamo-la todos os dias e alguns (poucos) jornalistas e pensadores denunciam e alertam.
Não ouvem.
As liberdades são todas ilusórias. Têm-nas uns poucos. Há liberdade apenas para roubar, trair e mentir.
Então, o que é que neste sistema político nos permite sermos ouvidos?
Dizei-me!
O sistema é um mero jogo insidiosamente viciado, espartilhado, que invoca o perigo de envenenamento para que ninguém fora dos partidos possa alguma vez interferir na panela.
O que existe? 
Dizei-me!
Uma ILC? Que lei se proporia na ILC, uma armadilha que, a final, vai ser sujeita à aprovação dos mesmos?   Só com 10 milhões de assinaturas se poderia pensar que ela fosse tida em conta... 
Como foi possível não darmos por isso e não resistirmos perante este divórcio litigioso entre povo e país? Um divórcio agravado, pois bem vemos que o povo vive num planeta e o poder noutro.
Que faço? Que fazemos? Não quero mais sentir-me impotente. Não quero fingir que nada se passa. Não basta a revolta que nos revolve as entranhas. 
Dizei-me!
Não posso ficar de braços cruzados assistindo à morte do meu País. Salvem-no!
Como?
Alguém que me (nos) ajude, depressa. Tenho medo de desistir.
Dizei-me!

domingo, abril 15, 2012

Sílabas


Num tom que não admitia contestação, declarei do alto dos meus três anos que queria ler. Não me lembro da resposta mas deve ter soado a hesitação porque não mais larguei o assunto até forçar uma rendição total.
Comecei então a ver a mãe a recortar fotografias de revistas e a guardá-las. Intrigou-me, aquele mistério. Parecia uma brincadeira que me estava vedada, e olhava entre o curiosa e o zangada aqueles recortes coloridos. Até que um dia percebi: do desvelo de mãe saiu um dossier pequeno, com algumas folhas brancas. Nestas, cuidadosamente seleccionados estavam colados os tais recortes de revistas e, à frente de cada boneco, uma letra.
Finalmente ia ler! Sofregamente absorvi as letras e depois as sílabas, obrigando a desesperada mãe a pensar em palavras que pudesse construir com o já aprendido e voltar às revistas para encontrar os bonecos adequados. Ainda me lembro da folha que tinha um cavalo. Já na altura era uma paixão, e o conseguir ler o nome da coisa amada comoveu-me. Tinha conseguido! O dossier foi aproveitado para o irmão seguinte, mas o interesse não era o mesmo, e quando chegava ao cavalo, olhava para a mãe com ar triunfante e dizia sempre: Égua! Acho que ficou por ali.
Em casa da avó, na Rua de S. Ciro ou no Alentejo, a mãe conseguia descansar um pouco da minha impaciência e dava lugar à avó. Sentadas à camilha, eu numa cadeira com várias almofadas que me faziam ter os pés ainda mais longe do chão, começava a lição. A avó pegava num livro qualquer e com o seu vagaroso dedo indicador ia apontando as palavras que eu tinha de ler e das quais não tinha a mínima ideia o que significavam. Eram sílabas. Lindas. Uma vitória saborosa. De vez em quando, aquele carinhoso dedo enrugado tapava as minhas sílabas e eu, chorosa, chamava a mãe em meu auxílio: Ó mãe, a avó não me deixa ler!
Pouco a pouco deixaram-me à solta, e aos cinco, lia os livros da Enid Blyton, “Os Cinco”, não percebendo metade e perguntava sempre à mãe o que era “um fim emocionante”.
Em casa da mãe havia tudo. Pude ir devorando sílabas. Portuguesas primeiro, mais tarde as francesas e inglesas. Passaram também a ser minhas, estas.
Num dos escritórios no Alentejo estavam os livros mais infantis, os da Condessa de Ségur, com gravuras e ortographia da época. Minha querida Sophia, como sofri com os teus desastres!
Na sala havia uma pequena estante com livros fascinantes que me acompanharam vida fora. Na prateleira de baixo estavam os livros de estudo da minha avó e tias-avós, e os que serviram também a mãe e tios. Passei férias inteiras a aprender francês, inglês, história e geografia em livros do séc. XIX ou princípios do séc. XX, cujos exercícios passava para um caderno comprado na vila.
Já mais velha lia os da prateleira de cima, romances cor-de-rosa, como “John chauffeur russo” ou “Água pela barba”. As histórias das meninas pobres e príncipes ou vice-versa, repetidas à exaustão com diferenças que nos davam a ilusão de ser uma outra história, quando afinal era a mesma…
Ainda hoje, quando entro nessa sala, o meu olhar se vira para a estante, onde estão os livros que contêm as minhas sílabas. Ainda lá estão, elas. Bem guardadas.

sábado, março 03, 2012


Uma ida a Bruxelas significa algumas vezes abastecer-me de banda desenhada.
Este foi um dos que trouxe desta vez.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

A angústia das quintas


Escrever no blogue de outra pessoa, com prazo a cumprir, está ser complicado.
Neste blogue, só meu, escrevo ou preencho vazios quando e como bem me apetece, não há regras, pressão ou exigência. Também por isso se encontram aqui das piores coisinhas da blogosfera, mas sou mulher para assumir o fraco, o fracote, o mau e o péssimo, que perfeitinho não há quem, sei lá eu se o que vejo noutros é uma aparência bonitinha com muito lixo debaixo do tapete…
Tendo que entregar o texto quinta-feira à noite, gostava eu que na segunda-feira estivesse pronto. Gostar, gostava, mas gostar ainda não é comandável. Sábado, domingo, segunda, terça, nada, nem uma pista. Três textos começados há umas semanas estão bloqueados. Invariavelmente todas as sextas-feiras faço um ataque cerrado de artilharia e cavalaria aos três, dizendo a mim própria que é desta! mas acabo por desistir. Não gosto, pronto.
Chega então a quarta-feira e começo a entrar em pânico. E agora? Uma espécie de “coisa” começa a desenhar-se, ainda não percebi bem onde, nem como, mas penso que muitas vezes enquanto ando, vá-se lá saber porquê (será o único tempo de cérebro mesmo livre? Ainda sou atropelada…) Escrevinho umas frases. Odeio sempre. Uma porcaria. Fecho rapidamente o Word ou o caderninho, consoante o caso.
Quinta-feira. Tem mesmo de ser! Começo de novo ou olho para o horror de quarta? Que faço eu com isto? Agarro-me com unhas e dentes e dedos e braços e tudo e lá aparece o que parece um texto. Tirado a ferros, à pressa. Ao ler é só defeitos a saltarem para o meu colo. Num angústia de adolescente apaixonada apresso-me a enviá-lo, antes que me arrependa.
Amanhã é quarta!

domingo, fevereiro 05, 2012

Utilizador-pagador?




O sistema utilizador-pagador até tem lógica, não fosse ele aplicado a serviços públicos já pagos com os impostos de todos nós.
Depois de introduzir portagens nas SCUTs, que nós já pagámos, continuamos a pagar e, graças às PPPs, até os nossos bisnetos pagarão, decidiram os governantes que ajudemos a pagar o buraco que alguém fez nas empresas de transportes públicos.
Começaram com a ideia do costume: paga o utilizador-pagador! Toca de aumentar os passes sociais.
Só que tal aumento não veio só. Cabeças iluminadas resolveram estender o conceito de utilizador-pagador.
Gostava mesmo de saber quem teve esta brilhante ideia: quem utiliza um transporte público paga todos.
Ora bem, estão a fazer isto de forma gradual, para que os utilizadores-pagadores não se apercebam, mas já percebi que o meu passe actual, que é só para os autocarros e ainda assim só para Lisboa, vai acabar a partir do próximo ano.
O que quer isto dizer? É muito simples.
O utilizador-pagador vai passar a ser um pagador-não utilizador.
Quem só entra em autocarros, vai ser obrigado, insisto obrigado, a comprar um passe que abrange autocarros, metropolitano e comboios (mas só alguns!).
Ora se não ando de comboios, e de metropolitano apenas esporadicamente, (a hora de ponta é terrível e tenho um pouco de claustrofobia) e podendo, se os quiser usar, comprar bilhete na altura, porque raio é que tenho de comprar passe para os 3?
Então agora quem não usa também paga? A que propósito? Não basta que já os paguemos com os impostos? Ainda temos de pagar mais? 
Abusos. Pensam que já começamos a estar anestesiados. 
Não estou.

PS: Um passe a 35 €, para quem vive e trabalha em Lisboa, faz compensar andar de carro ou ir a pé. Estou a cerca de 40 minutos do trabalho. Caminhar até me faz bem. Aos bolsos e à figura.


quinta-feira, janeiro 19, 2012

Não nos calemos


No dia em que estiver para ser aprovada a extinção dos feriados, TODOS deviam ir àquele sítio onde era suposto o povo estar e não está e que nas grandes ocasiões decide contra ele sem nunca lhe perguntar.

Temos de ir para a rua! Mostrar o que pensamos contra os vendidos! Indignarmo-nos!



domingo, janeiro 15, 2012

Do corte de feriados

Sabendo que vou ser insultada e por quem não me conhece, no mínimo chamada de preguiçosa. Além de superficial. E ignorante. Estou muito ralada.

Acabar com feriados não é reforma estrutural.
Acabar com feriados é falta de imaginação.
Acabar com feriados é foleiro.
Acabar com feriados é como acabar com o pastel de nata.
Acabar com feriados é parolo.
Acabar com feriados é querer esquecer a História.
Acabar com feriados é saloio.
Acabar com feriados é penalizar quem trabalha.
Acabar com feriados é para dizer aos donos europeus que se fez uma reforma não fazendo.
Acabar com feriados é ridículo.
Acabar com feriados é tapar o sol com uma peneira.
Acabar com feriados é querer aproximar Portugal do país que nos compra.
Acabar com feriados é deixar de celebrar o que deve ser celebrado.
Acabar com feriados é tentar apagar a memória.
Acabar com feriados é vender património.
Acabar com feriados é querer anular as identidades nacionais.

Afinal não será isto que se pretende, sob a capa da competitividade?

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Premissas equivocadas

Acreditar na bondade do Homem,
até prova em contrário.
Ainda assim, dar outra oportunidade.
Concluir que a primeira premissa estava errada.
Mudar a premissa.
Acreditar na maldade do Homem,
até prova em contrário.
Voltar a dar outra oportunidade.
Mudar a premissa...

sábado, janeiro 07, 2012

Não quero perder



Um sorriso teu, sonhado.
As gargalhadas da filha no espaço, no tempo e na alma.
As memórias. Os cheiros. Os sons.
Aquela luz do fim do dia que escreve tão bem na paisagem alentejana.
A capacidade de chorar. A de me revoltar. A de sempre me encantar.
Neste casino ganho eu.