sexta-feira, abril 22, 2011
quarta-feira, abril 20, 2011
Aviso importante aos 3 da vida airada (por enquanto só um…)
Os níveis de tributação em Portugal estão de tal forma altos que, em cerca de 5 anos, se foi dando cabo de um aumento que com certeza era lento, mas se via gradual, de absorção da economia paralela na economia de concorrência leal, dita normal.
Basta olhar à nossa volta.
Quem não pagou na última semana sem factura?
Quem não conhece gente que anda a receber “por fora” e nem quer ouvir falar de IRS, IVA ou Segurança Social?
Tirando os casos crónicos, dificilmente recuperáveis, o cenário com que agora deparamos é a fuga generalizada, às vezes contestária, outras por necessidade de imediata liquidez face aos apertos mortais da crise.
Ora, a muitos parece pacífica que uma eventual medida proposta pelos 3 da vida airada seja um aumento de impostos, mais especialmente do IVA.
Que engano!! Não há aqui elasticidade. Há limite no aumento da receita proporcional ao aumento dos impostos.
E esse limite até já foi ultrapassado…
Por isso, alterar a taxa do IVA para 25% (taxa dos países nórdicos!) apenas vai contribuir para incrementar a economia paralela e a fraude (já não só a evasão…), tendo como único efeito o contrário do que se pretendia, ou seja, a diminuição da receita do Estado.
É que 25% é uma margem de lucro muito apetecível, e o mesmo se pode dizer das novas percentagens da Segurança Social…
Depois vamos levar mais 30 anos para tentar levar o rebanho à cerca certa, a da sã economia concorrencial e sem deslealdades…
domingo, abril 10, 2011
sexta-feira, abril 01, 2011
terça-feira, março 22, 2011
Pai
Há uma fotografia da minha avó
Tim (pequena mas extraordinária e corajosa mulher do nosso avô Hipólito Raposo)
com os 6 netos da altura, tirada no Verão de 1964.
O meu pai morreu nesse Verão. A
15 de Agosto.
Não se preocupe, pai, porque a
mãe fez tudo para que estivesse presente. O pai era uma espécie de herói da
mãe, e passou a ser o nosso herói. Em todas as oportunidades contava-nos
histórias sobre o pai. Super inteligente, raiando a genialidade, com imenso sentido
de humor, congregava em si quase todas as qualidades.
Únicos defeitos, mau génio e um
zero à esquerda na arte do desenho. E logo tinham de calhar a mim, como única
herança genética, essas facetas...
Sempre que podia, a mãe também
nos proporcionava figuras que de alguma forma pudessemos sentir como paternais.
O tio João, por exemplo, chamado à pressa para vir ralhar quando já nada
resultava, o Vasco Vieira de Almeida, amigo do pai, que nos ia supervisionando,
mais tarde o Jorge Sottomayor de Almeida...
Devia ser a única dos três com
lembranças do pai, mas tenho poucas.
Lembro-me de coisas que fiz
consigo.
Lembro-me de estar sentada à sua
frente na garupa da égua garrana de Cinfães. É verdade que há fotografia, mas
tenho memória física desse andar a cavalo.
Lembro-me de ir voar de avioneta.
Da sala de espera do aeródromo, nem sei qual, e do “chão” da avioneta. Devia
estar cheia de medo, para me lembrar do olhar para baixo.
E lembro-me da sua mão. Não me
lembro da sua cara mas lembro-me da sua mão. Era muito importante, a sua mão.
Grande e segura. E tenho a certeza que era a sua mão, porque a unha do polegar
era diferente, e a mãe explicou que tinha sido pisada por um cavalo.
Parece que é pouco, mas para mim
é tudo.
Lembro-me da mão do meu pai.
Lisboa, 19 de Março de 2011
(Soube depois que a fotografia que me levara a escrever o texto tinha sido tirada em Setembro, exactamente aquando da missa pelos trinta dias da morte. Não está aqui por razões óbvias.)
quinta-feira, março 17, 2011
sexta-feira, março 11, 2011
sábado, março 05, 2011
Direito de resposta de uma superficial aterradora a um Senhor Doutor
Foi assim, de uma aterradora superficialidade, que foram por si classificados os antagonistas do acordo ortográfico, mesmo que interpondo a palavra habitualmente, para acautelar algumas posições mais...profundas.
Sim, eu superficial me confesso, mas ainda assim quero exercer o direito à minha superficial resposta, até porque uma superficial também tem direito à vida, mesmo que...superficial.
E pretendia exercê-lo de uma forma interrogativa, porque assim vai o meu estado de alma.
- Se até agora, e durante alguns séculos, os portugueses liam livros de escritores brasileiros e vice-versa (esta superficial acabou de ler a “A maçã no escuro” da Clarice Lispector, mas como é superficial demorou algum tempo, claro!) e nunca se queixaram, qual foi a verdadeira razão invocada para a necessidade de um acordo?
- Algum editor brasileiro deixou de publicar livros de escritores portugueses, ou era feita uma “tradução”?
- Se há brasileiros incapazes de ler livros de escritores portugueses, ao celebrar-se o acordo desta forma estamos a descer ao nível? Não devíamos antes elevá-lo?
- Qual é a diferença para um brasileiro ler acto em vez de ato? Não é a fonética que funciona também na leitura? Eu, que não sei italiano, para ler nessa, para mim, atraente língua, tenho de ler alto... mas pronto, eu sou superficial.
- Não se está a contribuir para uma cada vez maior existência de palavras homónimas?
- Porque se esqueceram, ou melhor, se desprezaram, as raízes etimológicas? Evolução implica renegar passado?
- Pretende-se, com o acordo, ganhar mais leitores? Não seria mais eficaz o investimento na educação?
- Com o acordo deixa de haver liberdade de expressão? Não me posso exprimir sem ser através do diktat instituído (sou funcionária pública...)?
Acredito, como assumida superficial, que terá resposta a todas estas questões. Uma resposta muitíssimo inteligente (reparará que ainda escrevo à moda de um acordo anterior ao anterior acordo), e sinceramente espero que me convença. Duvido.
Como nota final apenas um pequeno reparo a erros ortográficos no seu texto, com acordo ou sem acordo, com certeza devidos à emoção com que quer expor os seus argumentos. Nem reparei.
Em tempo: adorei ler “Os desastres de Sophia”, e todos os livros da Condessa, em edição encadernada,com gravuras da época, e nunca pensei que continham erros...
quarta-feira, março 02, 2011
Esboço de análise sociólogica dos Monárquicos
Categorias detectadas:
Monárquicos militantes
Monárquicos ideólogos
Monárquicos envergonhados
Monárquicos disfarçados
Monárquicos em busca do título perdido
Monárquicos anarquistas
Monárquicos integralistas
Monárquicos liberais
Monárquicos absolutistas
Monárquicos constitucionalistas
Monárquicos genéticos
Monárquicos estéticos
Monárquicos surreais
Monárquicos porque sim
As categorias não são estanques, há quem se encaixe em várias e até em todas (dependendo do ambiente circundante...)
Nota: isto é apenas uma brincadeira. Mas podem avançar com as críticas brutas, a esta bruta em tratamento de recuperação de brutodependente...
domingo, fevereiro 20, 2011
Utopie
C'est l'Utopie, notre amie, notre camarade,
Des terribles moments passés, enfermés,
Dans un lieu de châtiment.
Oui, c'est elle qui nous aide à vivre,
Et à survivre
Dans une minuscule cellule,
D’une toute petite maison,
Microscopique point de l'Univers...
1976?
A propósito de uma conferência da mãe no PPM sobre a Utopia (a do Tomas More e outras)
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Encosto
Uns certos 5 minutos e meio cada mês ou cada 2 meses, eu, que adoro estar sozinha, confesso, após tortura, que sinto falta de companhia.
E estranhamente, já nem me interessa que seja companhia para conversar, uma das minhas eternas queixas.
Não.
Agora, pelo menos de vez em quando, só queria alguém a quem me encostar. Sem falar. Sem gestos.
Só encosto.
E estranhamente, já nem me interessa que seja companhia para conversar, uma das minhas eternas queixas.
Não.
Agora, pelo menos de vez em quando, só queria alguém a quem me encostar. Sem falar. Sem gestos.
Só encosto.
sábado, fevereiro 12, 2011
O Autocarro
(Pedaços de qualquer coisa que ainda hei-de acabar, talvez em forma de diálogos)
Não há como andar de autocarro...
O metropolitano é da elite, o metro é chique, o autocarro é do povo.
Do meu povo, não da burguesia, complexada, complicada...
A burguesia média, baixa, alta ou a que aspira a ser burguesia, só anda de transporte público se não tem mesmo outro remédio. E quando tem de ser, é de metro.
Andar de carro dá status.
Para usufruir de uma hora de lazer no Bairro Alto, são capazes de andar às voltas outras duas, procurando desesperadamente qualquer buraco para estacionar e arriscar a que na volta as rodas estejam bloqueadas.
Acarinham-no como se fosse o animal de estimação da família, com capas cinzentas protectoras, escovam-no suavemente aos fins-de-semana, e só não o levam para a cama porque não cabe no elevador... Na minha rua estacionam-no no passeio mesmo em frente da porta, para não o perder de vista, e calculo que o vão espreitar à varanda de vez em quando, lançando olhares ternurentos e cúmplices.
O autocarro, esse, é do povo.
Do povo que refila, se queixa, se ampara, quando o condutor não espera e não lhes liga.
Do povo que ouve pacientemente do vizinho da frente queixas de operações médicas feitas e por fazer, e contrapõe com operações maiores e piores, numa eterna batalha à procura da medalha de mérito por desgraças...
Do povo que faz questão mesmo que toda a gente saiba que o seu neto Iuri (não é lindo, o nome? Fui eu que escolhi!) é a criatura mais prodigiosa à face da terra, ainda não descoberta, mas já em castings para a próxima novela.
Do adolescente com excrescências nos ouvidos, das quais nos chegam não as músicas, mas já só os ritmos, tchibum tchibum tchibumbum, tchibum tchibum tchibumbum, cópia barata dos carros ao lado, que nos presenteiam, de vidros abertos, qual discoteca privada ambulante, com a música pimba ou afro mais recente.
Da concorrência aberta e feroz entre velhotas e crianças numa ânsia de serem os primeiros a pressionar o botão para parar, ainda o autocarro não saiu da paragem anterior.
Do povo que se indigna com o que avalia como injustiças, seja do condutor, dos jovens que não dão o lugar, das mudanças e encurtamento de trajectos, da vida, em geral e em particular.
Do povo que anuncia o Outono no autocarro com o cheiro a naftalina do casaco acabado de tirar do armário.
Dos silêncios repentinamente quebrados com comentários aguerridos contra os governos, centrais e locais, bastando que alguém se lembre de começar.
Da solidariedade espontânea para com quem não sabe onde há-de sair, com indicações precisas e contraditórias de todos sobre a paragem, as ligações, o número do autocarro a apanhar, os metros a percorrer a pé até ao destino, e de como a discussão passa a conversa sobre os bons velhos tempos em que uma sardinha era dividida por sete, o bilhete custava 25 tostões, os jovens eram educados, o dinheiro era pouco mas chegava, o começar a trabalhar aos 11, as galinhas e vacas não eram hormonas...
Se um estrangeiro entra no autocarro num desses momentos há-de pensar que todos se conhecem há longa data.
É a comunidade efémera do mesmo percurso diário, que se esvai quando as portas se abrem...
10/03/06 e 12/02/11
quinta-feira, janeiro 27, 2011
domingo, janeiro 16, 2011
Escrever?
Queria tanto, mas tanto, tanto, escrever bem...
Palavras, frases, textos, bocados de frases e textos emaranham-se na mente durante semanas, meses, nos sítios e alturas mais inesperados.(que frase mais banal)
Hesitante, tento finalmente passar ao acto. Escrevo. Em papel, normalmente. Cansada do esforço, leio orgulhosa. Depois, releio e corrijo. Releio e corrijo. Releio e corrijo. Cada vez que releio mais me parece banal, possidónio, presunçoso, infantil. Corrijo. Desisto.
Ser funcionária pública fez-me perder vocabulário? Mesmo lendo? Perco o meu tempo na banalidade do dia a dia e não me esforço para não perder ligação à língua?
Mas perdi.
Agora tento reler o que lia aos 16, o que percebia aos 16... Infelizmente não cresci intelectualmente. Decresci. Era tão interessante e culta aos 16... Porque desapareci?
Mea culpa? Provavelmente.
Tenho 2 livros por escrever, aguardando a reforma, que me parece cada vez mais longínqua, e agora sinto que outrém os deverá escrever, não eu.
Então, deleito-me a ler outros, invejosa e triste de não ser capaz... A sombra dos que me precederam esmaga-me. Nunca estarei à altura e isso tolhe-me, censura-me... Que não seja desculpa.
Queria mesmo escrever bem... Gostar do que escrevo.
É raro. Tenho pena.
terça-feira, dezembro 14, 2010
Prós e contras de hoje (e ontem...)
Interessante o debate hoje...porque interessantes os protagonistas.
Concordo com as propostas do Dr. António Barreto, para a refundição pedida pelo Prof. Adriano Moreira, mas quem sou eu?
Apenas umas achegas, das minhas. O espectro político em Portugal é muito redutor, muito mesmo. Praticamente nunca senti lá, na Assembleia, a minha voz. E como eu há muitos...
Há anos que voto em consciência, nunca voto útil, mas o triste facto é que em quem voto vê-se espartilhado pelo domínio dos agora sempiternos 5, ditado pelo método de Hondt.
Não sei se chega o deputado nominal e o fim da disciplina partidária para mudar o status quo...
E o bando dos 5 vai cerrar fileiras para que nada mude, especialmente uma lei eleitoral que os mantém perto dos seus sonhos de poder, e alimenta as suas avidezes e ganâncias.
Concordo com as propostas do Dr. António Barreto, para a refundição pedida pelo Prof. Adriano Moreira, mas quem sou eu?
Apenas umas achegas, das minhas. O espectro político em Portugal é muito redutor, muito mesmo. Praticamente nunca senti lá, na Assembleia, a minha voz. E como eu há muitos...
Há anos que voto em consciência, nunca voto útil, mas o triste facto é que em quem voto vê-se espartilhado pelo domínio dos agora sempiternos 5, ditado pelo método de Hondt.
Não sei se chega o deputado nominal e o fim da disciplina partidária para mudar o status quo...
E o bando dos 5 vai cerrar fileiras para que nada mude, especialmente uma lei eleitoral que os mantém perto dos seus sonhos de poder, e alimenta as suas avidezes e ganâncias.
terça-feira, outubro 19, 2010
domingo, outubro 10, 2010
domingo, setembro 26, 2010
Me
Raiva,
Fúria,
muita...
Contida,
retida,
detida,
até que...
Uma
pequena
minúscula,
ridícula
faísca,
faz
PUM!
Não falemos mais disso...
Fúria,
muita...
Contida,
retida,
detida,
até que...
Uma
pequena
minúscula,
ridícula
faísca,
faz
PUM!
Não falemos mais disso...
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