O dia 69 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 31, 2013
domingo, maio 26, 2013
A espera
Demoras!
E na demora,
Ao sol de Ítaca
Vai Penélope tecendo,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Ainda demoras!
E na demora,
Ao luar de Ítaca
Vai Penélope desfiando,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Mas demoras!
E na demora,
Levou o tempo memórias.
Linha a linha
Penélope vai tecendo
Outra face no tear.
Mas eterno permanece o olhar.
Poema a quatro mãos
Maio de 2013
Ao sol de Ítaca
Vai Penélope tecendo,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Ainda demoras!
E na demora,
Ao luar de Ítaca
Vai Penélope desfiando,
Linha a linha,
Tua face no tear.
Mas demoras!
E na demora,
Levou o tempo memórias.
Linha a linha
Penélope vai tecendo
Outra face no tear.
Mas eterno permanece o olhar.
Poema a quatro mãos
Maio de 2013
sexta-feira, maio 24, 2013
Da Ilha
O dia 68 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 17, 2013
Das causas
O dia 67 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 10, 2013
Das redes sociais (3)
O dia 66 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 03, 2013
Das raízes
O dia 65 nas Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 26, 2013
Do dia 25 de Abril
O dia 64 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, abril 22, 2013
sexta-feira, abril 19, 2013
Do estar fora
O dia 63 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 12, 2013
De um Mestre
O dia 62 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 05, 2013
Das redes sociais (2)
O dia 61 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, abril 01, 2013
Círculo
Em círculos, às vezes em elipses, não saio dali.
Uma vez por outra caminho pelo raio, em passos milimétricos, e depois completo todo o perímetro a passo de corrida. Sempre 2πr. Sem falhas.
Saindo do raio, a área à disposição tem o horizonte πr^2 . Como se não soubesse. Uma combinação perfeita de π, raio e o número dois. Bonita, mas sufocante. Já chega. Quero sair.
Nunca disse, mas já fui espreitar lá fora. O mundo dos triângulos e o dos quadriláteros. Igualmente interessantes, não tão bonitos mas mais do mesmo, com outros perímetros e outras áreas.
Quero um mundo sem perímetros. De áreas infinitas.
Arranjo um mapa e fujo.
Uma vez por outra caminho pelo raio, em passos milimétricos, e depois completo todo o perímetro a passo de corrida. Sempre 2πr. Sem falhas.
Saindo do raio, a área à disposição tem o horizonte πr^2 . Como se não soubesse. Uma combinação perfeita de π, raio e o número dois. Bonita, mas sufocante. Já chega. Quero sair.
Nunca disse, mas já fui espreitar lá fora. O mundo dos triângulos e o dos quadriláteros. Igualmente interessantes, não tão bonitos mas mais do mesmo, com outros perímetros e outras áreas.
Quero um mundo sem perímetros. De áreas infinitas.
Arranjo um mapa e fujo.
domingo, março 31, 2013
sexta-feira, março 29, 2013
Ecce Homo
Há-de ser sempre este.
sexta-feira, março 22, 2013
Da Europa (3)
O dia 60 no Eternas Saudades do Futuro:
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sexta-feira, março 15, 2013
Das redes sociais
O dia 59 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, março 08, 2013
Do tempo
O dia 58 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, março 01, 2013
Receita
O dia 57 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Do país das carteiras
O dia 56 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Voo
Se me negas as asas,
terei de voar sozinha.
Não tenho medo, toma nota.
Teria se não fosse capaz.
Espera o amanhecer e verás
num qualquer azul,
tão azul
que rebentará em estrelas,
o Voo.
Picado primeiro,
depois manso no baloiço das brisas.
Não volto.
15/02/13
Do Papa
O dia 55 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 01, 2013
Da morte do Rei
O dia 53 no Eternas Saudades do Futuro
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quarta-feira, janeiro 30, 2013
Última carta à minha ex-operadora de telecomunicações
Ex-Cliente nº ....
V/Ref. ......
Lisboa, 29 de Janeiro
de 2013
Exmo. Senhor xxxxxxx,
Tendo recebido a s/carta de
23/01/13 ontem dia 28, percebi que deseja ardentemente manter correspondência
com a minha pessoa, e eu, entusiasmada com essa demonstração carinhosa, não
posso deixar de responder. Sendo a terceira vez que escrevo, o namoro corre
sérios riscos de se tornar noivado. Aliás fiquei muitíssimo bem impressionada
pelo facto de não ter sido aplicado nessa carta um tal de “acordo” que
considero abjecto.
Podia utilizar a já célebre
expressão de uma grande senhora entretanto falecida, “Você sabe que eu sei que
você sabe que eu sei”, mas nem é preciso.
Em s/poder tem o original (e no
meu a cópia) do comprovativo do envio e recepção do fax enviado a 14/12/12, com
a denúncia do contrato e todos os documentos necessários. Terminou pois o
contrato a 31/12/12, e não a 31/01/13, como tão insistentemente quer fazer
crer. Por isso, estou a considerar essa extensão uma liberalidade vossa, muito
simpática, aliás.
Aguardo que façam a recolha do
equipamento, porquanto há um cabo instalado pelos vossos serviços que não
consigo retirar sem o cortar, e se há coisa que não pretendo é danificar seja o
que for. Estragaria a nossa relação.
Também apreciei a última parte da
carta, em que simpaticamente se põe à minha disposição todos os dias, 24 horas
por dia, através de uns “contactos indicados abaixo”, mas fiquei desiludida
porquanto parece que os tais contactos afinal não querem ser contactados e
fugiram do papel.
Com os melhores cumprimentos,
Leonor Martins de Carvalho
sexta-feira, janeiro 25, 2013
Um ano de crónicas
O dia 52 no Eterna Saudades do Futuro
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sexta-feira, janeiro 18, 2013
De Lisboa
O dia 51 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, janeiro 11, 2013
Da mudança de nomes
O dia 50 no Eternas Saudades de Futuro
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sexta-feira, janeiro 04, 2013
Da esperança
O dia 49 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, dezembro 28, 2012
Do balanço
O dia 48 no Eternas Saudades do Futuro
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terça-feira, dezembro 25, 2012
O presente
Permite-me que te dê uma palavra,
Bem embrulhada em papel colorido
E com fita a preceito.
É o meu presente.
Desembrulha,
Mas com cuidado.
Pode-se partir.
Leonor Raposo
25/12/12
sexta-feira, dezembro 21, 2012
Do Natal
O dia 47 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, dezembro 14, 2012
Do "acordo"
O dia 46 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, dezembro 07, 2012
Dos livros
O dia 45 no Eternas Saudades do Futuro
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domingo, dezembro 02, 2012
A carta
“…És as minhas asas. Vens voar?”
Pousou a caneta de tinta
permanente que o acompanhava sempre, presente do seu querido avô pelo exame da
quarta classe, e suspirou.
Levara uma noite sem horas, mil
noites sem horas, mas finalmente chegara ao fim. Aquilo era A carta. Decidiu-se
a reler e, aliviado, dobrou o papel, meteu-o no sobrescrito sóbrio, e fechou-o.
E agora? Comprava flores para
acompanhar a sua alma? Quando finalmente tinha decidido imprimir em papel o que
há anos estava impresso na sua pele, no seu corpo, na sua mente, não se
conseguia decidir. Nunca tinha pensado que haveria outras coisas para decidir. O
importante era a carta. Sempre fora.
A princípio achara ridículo
escrever uma carta. Aliás nem pensara em escrever nada. Nem pensara. Os
sentimentos tinham-se instalado sem licença, comodamente e sem barulho. Umas
pequenas ânsias de vez em quando e era tudo. Quando dera por ele, já não
conseguia desalojar o que sentia.
Depois, quis descartar. Era coisa
impossível, ela rir-se-ia, não tinha futuro... Tinha de esquecer. Mas à parte
as temporadas em que se embrenhava totalmente nos seus hobbies, não conseguia.
Qualquer coisa lhe prendia a voz
e não conseguia dizer-lhe nada que não fosse trivial. Tentava uma aproximação
mas desistia.
Foi então que decidiu
escrever-lhe. À antiga. Uma declaração de amor, pronto. Mas as palavras não se
alinhavam como queria, pareciam-lhe ora ocas ora demasiado fugidias, e por isso
ia adiando o sentar-se à secretária.
Quando finalmente se sentou à
frente do papel de carta, olhava e não escrevia. Como se escrever fosse matar o
que sentia. Habituou-se àquelas horas sentado a olhar para um papel em branco.
Quando se resolveu a pegar na
caneta, as palavras eram tão tontas que as rasurava com todas as forças. Cheio
o papel de palavras tontas, acabava por desistir e transformava-as em bolas que rodeavam o cesto dos papéis. Basquetebol nunca fora o seu forte.
Recomeçava sempre. Já que
começara…
Havia dias em que olhava pela
janela, via a mudança das estações nas poucas árvores que tinha direito a ver,
e duvidava… Largava a caneta, raivoso e questionava o que sentia. Vale a pena?
Atacara o branco como se o
quisesse matar. De amor.
Agora estava ali. Conseguira
escrever o que nunca conseguira dizer e gostava do que lia.
Decidiu-se por simples margaridas
porque rosas encarnadas, não.
Mandou a florista entregar na
morada certa e a custo deu-lhe o sobrescrito.
No dia seguinte, ela respondeu-lhe.
No jornal, secção da necrologia.
Leonor Raposo
Leonor Raposo
sexta-feira, novembro 30, 2012
Do 1º de Dezembro
O dia 44 no Eternas Saudades do Futuro
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sábado, novembro 24, 2012
Da saudade
O dia 43 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, novembro 16, 2012
Do património
O dia 42 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, novembro 09, 2012
Dos valores e da política
O dia 41 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, novembro 02, 2012
Do acordar
O dia 40 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 26, 2012
Dos aviões
O dia 39 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 19, 2012
Fábula?
O dia 38 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 12, 2012
Da idade terceira?
O dia 37 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, outubro 05, 2012
Do 5 do 10
O dia 36 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 28, 2012
Da Europa (II)
O dia 35 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 21, 2012
Dos restaurantes
O dia 34 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, setembro 17, 2012
Reflexos
Sempre se sentira desamada. Mais mal-amada, talvez. Ou menos
amada do que amava. Não sabia bem explicar.
Sofregamente procurava o olhar dos outros em busca da
palavra maldita. Em todos ansiava ver esse amor que jurava nunca ter conhecido. Sofregamente queria tudo, mesmo o fingido. Sobretudo o fingido. E
perdia-se.
Até o espelho entrava nesse jogo do desamor. Daí a colecção
de espelhos. Procurava-os nas lojas, feiras e antiquários tão sofregamente como procurava os olhares.
Quando chegava ao seu apartamento com uma nova compra,
pendurava-a, sempre no mesmo prego, colocado de propósito no quarto para esse
fim. Depois, afastava-se um pouco e fechava os olhos. Uns segundos infinitos de desassossego depois, reabria-os, expectante da surpresa de finalmente se encontrar. Amada.
Não, aquele ainda não. Nunca era... Meio conformada mas angustiada, acabava por empilhá-los um a um no chão, encostados às paredes, a aguardar aquele dia. O da libertação.
Quando estava sozinha, doía, mas doía tanto… Uma dor difusa, uma desinquietação entre o pescoço e a pélvis, que apertava, apertava tanto... Enchia-se então de
ben-u-rons, arranjava um saquinho de água quente, e sem saber porquê surgia-lhe a ideia estranha de que a
dor da solidão era afinal quase gémea da que sentia quando estava a apaixonar-se.
Ontem encontrara um olhar. Não era fingido, pensou, talvez
este…
Olhava agora a cama com um sorriso doce. Fechou cuidadosamente a porta e
saiu para comprar um espelho.
sexta-feira, setembro 14, 2012
De política e partidos
O dia 33 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, setembro 07, 2012
De notícias
O dia 32 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 31, 2012
Do Alentejo, do campo e dos urbanos
O dia 31 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 24, 2012
Da revolta
O dia 30 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 17, 2012
Das férias
O dia 29 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, agosto 10, 2012
Da Tall Ships Race
O dia 28 no Eternas Saudades do Futuro
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sábado, agosto 04, 2012
Grito
Se um dia contasse a sua
história, começaria assim, num dia cinzento. Não que ele o seja, mas o
destino o ditou ou, para dizer a verdade, porque me apeteceu.
Nesse dia, o tal cinzento, com pequenos rasgos prometendo o fatal azul da tarde, saíra cedo de casa sem hesitações em direcção ao campo. Gostava de o ver pela fresca,
pontilhado pelo orvalho.
Parou na berma da estrada junto a uma seara de trigo. Já era a única na região. Chamara-lhe sua, dera-lhe um nome dos seus, porque era uma sobrevivente, como ele da guerra.
Saiu do carro e meteu-se seara adentro, sem rumo nem leme. As cigarras calavam-se, respeitando a medida dos seus passos. Até que foi ilha no meio daquele mar. Uns corvos levantaram voo grasnando, com medo da ilha.
Saiu do carro e meteu-se seara adentro, sem rumo nem leme. As cigarras calavam-se, respeitando a medida dos seus passos. Até que foi ilha no meio daquele mar. Uns corvos levantaram voo grasnando, com medo da ilha.
Ali parado e vieram a correr cores, cheiros, sons, todos seus, mas que por ali andavam à rédea solta.
Enquanto caminhara até ao meio da
seara, os pensamentos do mundo, o outro, não o largaram, reclamando aos gritos, sem cessar, direitos exclusivos de espaço, talvez intuindo o seu iminente despejo.
Enfim chegara o vazio. Recomeçaria, na mudez da seara.
Devagar, começou por pronunciar em silêncio o seu nome. Mastigado. Deu-lhe depois voz, em sussurro, e continuou, em crescendo, até gritar bem alto o seu eu, esperando eco.
Retomado o silêncio, pronunciou o nome dela. Sem mastigar. Repetiu o processo até o grito lhe sair da garganta.
Foi então que voltaram os corvos.
Enfim chegara o vazio. Recomeçaria, na mudez da seara.
Devagar, começou por pronunciar em silêncio o seu nome. Mastigado. Deu-lhe depois voz, em sussurro, e continuou, em crescendo, até gritar bem alto o seu eu, esperando eco.
Retomado o silêncio, pronunciou o nome dela. Sem mastigar. Repetiu o processo até o grito lhe sair da garganta.
Foi então que voltaram os corvos.
sexta-feira, agosto 03, 2012
Do orgulho
O dia 27 no Eternas Saudades do Futuro.
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sexta-feira, julho 27, 2012
Do meio aniversário
O dia 26 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 20, 2012
De alguns defeitos e virtudes dos portugueses
O dia 25 no Eternas Saudades do Futuro
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segunda-feira, julho 16, 2012
A exposição na Junta
Há uns meses, não muitos, aconteceu uma exposição de fotografias em aldeia remota no Alentejo. Na Junta de Freguesia, uma casa minúscula à Estado Novo, barra de ocre a toda a volta e arco à entrada a dar sombra, nem mais nem menos do que uma das Juntas condenada à extinção sem remorsos pelo governo central. Isto depois de matarem a escola, a extensão do Centro de saúde... Um dia ainda tiram as festas de Agosto. Não sei o que virá a ser da casa e não percebo a poupança que fazem neste caso. Adiante.
À porta um letreiro mandava-nos ir buscar a chave ao café em frente. Assim fizemos, aproveitando para tomar o dito em converseta amena à volta daquelas mesas redondas que mal chegam para uma pessoa mas têm três cadeiras à volta, pelo que só metade de cada corpo chega à mesa, de perfil, uns novos hieróglifos à alentejana.
Lá levámos a chave, presa a qualquer coisa verde, talvez um crocodilo em miniatura, não sei, porque quando se trata de verde quero é esquecer.
Era uma exposição de retratos de alguns habitantes da aldeia, especialmente dos mais velhos, sózinhos e em casal, tiradas por um filho da terra com a máquina antiga do pai. Uma delícia os retratos, alguns mesmo muito bons.
Logo à entrada apareceu um dos retratados a quem pedimos que fizesse de guia e nos fosse identificando quem era quem. Não se fez rogado e começou:
- Este é o Zé, este o Manel, esta é a do Zé, esta é a do Manel...
- Ó homem, então as mulheres não têm nome?
Na verdade achara graça, mas ao mesmo tempo encanitara-me o olvido. Parou espantado, franzindo a testa. Acho que nunca tinha pensado nisso, aquilo saía-lhe naturalmente. Recomeçou e fez um esforço.
- Este é o Zé mais a - uns segundos - Joaquina. Este aqui é o Manel mais a - uns segundos - a, a, Beatriz.
Não aguentou muito mais. As outras continuaram a ser "as dos" respectivos.
Nada a fazer.
Na verdade achara graça, mas ao mesmo tempo encanitara-me o olvido. Parou espantado, franzindo a testa. Acho que nunca tinha pensado nisso, aquilo saía-lhe naturalmente. Recomeçou e fez um esforço.
- Este é o Zé mais a - uns segundos - Joaquina. Este aqui é o Manel mais a - uns segundos - a, a, Beatriz.
Não aguentou muito mais. As outras continuaram a ser "as dos" respectivos.
Nada a fazer.
sexta-feira, julho 13, 2012
Da verdade e da mentira
O dia 24 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, julho 06, 2012
Da competência
O dia 23 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 29, 2012
Da "silly season"
O dia 22 no Eternas Saudades do Futuro
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quarta-feira, junho 27, 2012
Hoje, os olhos
de todos os portugueses estarão postos em vós, e vêm-nos à memória ecos da
nossa história antiga: Atoleiros, Aljubarrota, primeiro de Dezembro de 1640…
Sois herdeiros dessa brava gente
cuja vontade férrea moldou Portugal. Sois herdeiros desses avós egrégios que
ireis cantar antes do jogo.
Como eles esperamos que sejam
bravos, que não se deixem esmorecer, que lutem até ao fim, levantando bem alto
o nome da nossa Pátria, da nossa gente.
Basta-nos isso e estaremos
convosco em todas as horas. Nas vitórias e nas derrotas.
Vamos a eles!
sexta-feira, junho 22, 2012
Sem título
O dia 21 no Eternas Saudades do Futuro
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domingo, junho 17, 2012
sexta-feira, junho 15, 2012
Do futebol
O dia 20 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 08, 2012
Vernissage
O dia 19 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, junho 01, 2012
Imagino-te a escreveres-me cartas
de amor.
Cuidadosamente escolhes as
palavras enquanto brincas com a caneta.
Tinta permanente.
Cuidadosamente dobras o papel em
três,
desdobras para reler,
tornas a dobrar.
Cuidadosamente o papel dobrado em
três
desliza para dentro do
sobrescrito.
Cuidadosamente escreves-te como
remetente.
Cuidadosamente escreves a morada
da destinatária.
Descuidadamente não é a minha.
01/06/12
Do destino
O dia 18 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 25, 2012
Das máquinas
O dia 17 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 18, 2012
O ego quoque faz 8 anos
Oito anos mas não consecutivos....
Houve anos só com duas entradas e um ano não teve mesmo direito a nenhuma.
Nesse primeiro dia, 18 de Maio de 2004, começou assim:
http://egoquoque.blogspot.pt/2004/05/comecei.html
http://egoquoque.blogspot.pt/2004/05/o-que-vai-ser.html
Da memória
O dia 16 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 11, 2012
Do ofício de escrever cartas?
O dia 15 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, maio 04, 2012
Europa
O dia 14 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 27, 2012
Do cabeleireiro
O dia 13 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, abril 20, 2012
Da grei
O dia 12 no Eternas Saudades do Futuro
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terça-feira, abril 17, 2012
Dizei-me!
Dizei-me!
O que podemos fazer para deter
esta insanidade que tomou de assalto Portugal há anos antes que nos destrua
por completo?
Disseram-nos que é pelo voto que
mandamos e mudamos.
Votei. Votámos.
Não ouço lá a minha voz nem a de
muitos.
Disseram-nos que temos liberdade
de nos manifestar.
Estive em várias manifestações. Estivemos.
Não ligam, por maiores que sejam.
Disseram-nos que temos liberdade
de expressão.
Usamo-la todos os dias e alguns (poucos) jornalistas e pensadores denunciam e alertam.
Não ouvem.
As liberdades são todas ilusórias. Têm-nas uns poucos. Há liberdade apenas para roubar, trair e mentir.
Então, o que é que neste sistema político nos permite sermos ouvidos?
Então, o que é que neste sistema político nos permite sermos ouvidos?
Dizei-me!
O sistema é um mero jogo insidiosamente viciado, espartilhado, que invoca o perigo de
envenenamento para que ninguém fora dos partidos possa alguma vez interferir
na panela.
O que existe?
Dizei-me!
Uma ILC? Que lei se proporia na ILC, uma armadilha que, a final, vai ser sujeita à
aprovação dos mesmos? Só com 10 milhões de assinaturas se poderia pensar que ela fosse tida em conta...
Como foi possível não darmos por
isso e não resistirmos perante este divórcio litigioso entre povo e país? Um
divórcio agravado, pois bem vemos que o povo vive num planeta e o poder noutro.
Que faço? Que fazemos? Não quero mais sentir-me impotente. Não quero fingir que nada se passa. Não basta a revolta que nos revolve as entranhas.
Dizei-me!
Não posso ficar de braços cruzados assistindo à morte do meu
País. Salvem-no!
Como?
Alguém que me (nos) ajude, depressa. Tenho medo de desistir.
Dizei-me!
domingo, abril 15, 2012
Sílabas
Num tom que não admitia
contestação, declarei do alto dos meus três anos que queria ler. Não me lembro
da resposta mas deve ter soado a hesitação porque não mais larguei o assunto
até forçar uma rendição total.
Comecei então a ver a mãe a
recortar fotografias de revistas e a guardá-las. Intrigou-me, aquele mistério.
Parecia uma brincadeira que me estava vedada, e olhava entre o curiosa e o
zangada aqueles recortes coloridos. Até que um dia percebi: do desvelo de mãe saiu
um dossier pequeno, com algumas folhas
brancas. Nestas, cuidadosamente seleccionados estavam colados os tais recortes
de revistas e, à frente de cada boneco, uma letra.
Finalmente ia ler! Sofregamente
absorvi as letras e depois as sílabas, obrigando a desesperada mãe a pensar em
palavras que pudesse construir com o já aprendido e voltar às revistas para
encontrar os bonecos adequados. Ainda me lembro da folha que tinha um cavalo. Já
na altura era uma paixão, e o conseguir ler o nome da coisa amada comoveu-me. Tinha
conseguido! O dossier foi aproveitado para o irmão seguinte, mas o interesse
não era o mesmo, e quando chegava ao cavalo, olhava para a mãe com ar
triunfante e dizia sempre: Égua! Acho que ficou por ali.
Em casa da avó, na Rua de S. Ciro
ou no Alentejo, a mãe conseguia descansar um pouco da minha impaciência e dava
lugar à avó. Sentadas à camilha, eu numa cadeira com várias almofadas que me
faziam ter os pés ainda mais longe do chão, começava a lição. A avó pegava num
livro qualquer e com o seu vagaroso dedo indicador ia apontando as palavras que
eu tinha de ler e das quais não tinha a mínima ideia o que significavam. Eram
sílabas. Lindas. Uma vitória saborosa. De vez em quando, aquele carinhoso dedo enrugado
tapava as minhas sílabas e eu, chorosa, chamava a mãe em meu auxílio: Ó mãe, a
avó não me deixa ler!
Pouco a pouco deixaram-me à
solta, e aos cinco, lia os livros da Enid Blyton, “Os Cinco”, não percebendo
metade e perguntava sempre à mãe o que era “um fim emocionante”.
Em casa da mãe havia tudo. Pude
ir devorando sílabas. Portuguesas primeiro, mais tarde as francesas e inglesas.
Passaram também a ser minhas, estas.
Num dos escritórios no Alentejo estavam
os livros mais infantis, os da Condessa de Ségur, com gravuras e ortographia da
época. Minha querida Sophia, como sofri com os teus desastres!
Na sala havia uma pequena estante
com livros fascinantes que me acompanharam vida fora. Na prateleira de baixo
estavam os livros de estudo da minha avó e tias-avós, e os que serviram também
a mãe e tios. Passei férias inteiras a aprender francês, inglês, história e
geografia em livros do séc. XIX ou princípios do séc. XX, cujos exercícios
passava para um caderno comprado na vila.
Já mais velha lia os da
prateleira de cima, romances cor-de-rosa, como “John chauffeur russo” ou “Água
pela barba”. As histórias das meninas pobres e príncipes ou vice-versa,
repetidas à exaustão com diferenças que nos davam a ilusão de ser uma outra
história, quando afinal era a mesma…
Ainda hoje, quando entro nessa
sala, o meu olhar se vira para a estante, onde estão os livros que contêm as
minhas sílabas. Ainda lá estão, elas. Bem guardadas.
sexta-feira, abril 13, 2012
Da ida à terra
O dia 11 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, março 30, 2012
Da insatisfação
O dia 10 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, março 23, 2012
Trabalho
O dia 9 no Eternas Saudades do Futuro
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terça-feira, março 20, 2012
sexta-feira, março 16, 2012
Ciclovias
O dia 8 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, março 09, 2012
Da condução
O dia 7 no Eternas Saudades do Futuro
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sábado, março 03, 2012
sexta-feira, março 02, 2012
O carro
O dia 6 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Monarquia
O dia 5 no Eternas Saudades do Futuro
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terça-feira, fevereiro 21, 2012
A angústia das quintas
Escrever no blogue de outra
pessoa, com prazo a cumprir, está ser complicado.
Neste blogue, só meu, escrevo ou
preencho vazios quando e como bem me apetece, não há regras, pressão ou exigência.
Também por isso se encontram aqui das piores coisinhas da blogosfera, mas sou
mulher para assumir o fraco, o fracote, o mau e o péssimo, que perfeitinho não
há quem, sei lá eu se o que vejo noutros é uma aparência bonitinha com muito
lixo debaixo do tapete…
Tendo que entregar o texto quinta-feira
à noite, gostava eu que na segunda-feira estivesse pronto. Gostar, gostava, mas
gostar ainda não é comandável. Sábado, domingo, segunda, terça, nada, nem uma
pista. Três textos começados há umas semanas estão bloqueados. Invariavelmente todas
as sextas-feiras faço um ataque cerrado de artilharia e cavalaria aos três, dizendo
a mim própria que é desta! mas acabo por desistir. Não gosto, pronto.
Chega então a quarta-feira e
começo a entrar em pânico. E agora? Uma espécie de “coisa” começa a desenhar-se,
ainda não percebi bem onde, nem como, mas penso que muitas vezes enquanto ando,
vá-se lá saber porquê (será o único tempo de cérebro mesmo livre? Ainda sou
atropelada…) Escrevinho umas frases. Odeio sempre. Uma porcaria. Fecho rapidamente
o Word ou o caderninho, consoante o caso.
Quinta-feira. Tem mesmo de ser!
Começo de novo ou olho para o horror de quarta? Que faço eu com isto? Agarro-me
com unhas e dentes e dedos e braços e tudo e lá aparece o que parece um texto. Tirado
a ferros, à pressa. Ao ler é só defeitos a saltarem para o meu colo. Num
angústia de adolescente apaixonada apresso-me a enviá-lo, antes que me
arrependa.
Amanhã é quarta!
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
A cantina
O dia 4 no Eternas Saudades do Futuro
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sexta-feira, fevereiro 10, 2012
Calçada portuguesa
O dia 3 no Eternas saudades do futuro
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domingo, fevereiro 05, 2012
Utilizador-pagador?
O sistema utilizador-pagador até tem lógica, não fosse ele aplicado a serviços públicos já pagos com os impostos de todos nós.
Depois de introduzir portagens nas SCUTs, que nós já pagámos, continuamos a pagar e, graças às PPPs, até os nossos bisnetos pagarão, decidiram os governantes que ajudemos a pagar o buraco que alguém fez nas empresas de transportes públicos.
Começaram com a ideia do costume: paga o utilizador-pagador! Toca de aumentar os passes sociais.
Só que tal aumento não veio só. Cabeças iluminadas resolveram estender o conceito de utilizador-pagador.
Gostava mesmo de saber quem teve esta brilhante ideia: quem utiliza um transporte público paga todos.
Ora bem, estão a fazer isto de forma gradual, para que os utilizadores-pagadores não se apercebam, mas já percebi que o meu passe actual, que é só para os autocarros e ainda assim só para Lisboa, vai acabar a partir do próximo ano.
O que quer isto dizer? É muito simples.
O utilizador-pagador vai passar a ser um pagador-não utilizador.
Quem só entra em autocarros, vai ser obrigado, insisto obrigado, a comprar um passe que abrange autocarros, metropolitano e comboios (mas só alguns!).
Ora se não ando de comboios, e de metropolitano apenas esporadicamente, (a hora de ponta é terrível e tenho um pouco de claustrofobia) e podendo, se os quiser usar, comprar bilhete na altura, porque raio é que tenho de comprar passe para os 3?
Então agora quem não usa também paga? A que propósito? Não basta que já os paguemos com os impostos? Ainda temos de pagar mais?
Abusos. Pensam que já começamos a estar anestesiados.
Não estou.
PS: Um passe a 35 €, para quem vive e trabalha em Lisboa, faz compensar andar de carro ou ir a pé. Estou a cerca de 40 minutos do trabalho. Caminhar até me faz bem. Aos bolsos e à figura.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Políticos...
O dia 2 como convidada no blogue Eternas Saudades do Futuro
http://do-futuro.blogspot.com/2012/02/carteira-de-senhora.html
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sexta-feira, janeiro 27, 2012
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Não nos calemos
No dia em que estiver para ser aprovada a extinção dos feriados, TODOS deviam ir àquele sítio onde era suposto o povo estar e não está e que nas grandes ocasiões decide contra ele sem nunca lhe perguntar.
Temos de ir para a rua! Mostrar o que pensamos contra os vendidos! Indignarmo-nos!
domingo, janeiro 15, 2012
Do corte de feriados
Sabendo que vou ser insultada e
por quem não me conhece, no mínimo chamada de preguiçosa. Além de superficial.
E ignorante. Estou muito ralada.
Acabar com feriados não é reforma
estrutural.
Acabar com feriados é falta de
imaginação.
Acabar com feriados é foleiro.
Acabar com feriados é como acabar
com o pastel de nata.
Acabar com feriados é parolo.
Acabar com feriados é querer esquecer a
História.
Acabar com feriados é saloio.
Acabar com feriados é penalizar
quem trabalha.
Acabar com feriados é para dizer
aos donos europeus que se fez uma reforma não fazendo.
Acabar com feriados é ridículo.
Acabar com feriados é tapar o sol
com uma peneira.
Acabar com feriados é querer
aproximar Portugal do país que nos compra.
Acabar com feriados é deixar de
celebrar o que deve ser celebrado.
Acabar com feriados é tentar
apagar a memória.
Acabar com feriados é vender
património.
Acabar com feriados é querer
anular as identidades nacionais.
Afinal não será isto que se
pretende, sob a capa da competitividade?
sexta-feira, janeiro 13, 2012
Premissas equivocadas
Acreditar na bondade do Homem,
até prova em contrário.
Ainda assim, dar outra
oportunidade.
Concluir que a
primeira premissa estava errada.
Mudar a premissa.
Acreditar na maldade do Homem,
até prova em contrário.
Voltar a dar outra oportunidade.
Mudar a premissa...
sábado, janeiro 07, 2012
Não quero perder
Um sorriso teu, sonhado.
As gargalhadas da filha no espaço, no tempo e na alma.
As memórias. Os cheiros. Os sons.
Aquela luz do fim do dia que
escreve tão bem na paisagem alentejana.
A capacidade de chorar. A de me revoltar.
A de sempre me encantar.
Neste casino ganho eu.
Neste casino ganho eu.
sexta-feira, janeiro 06, 2012
De James Thurber
| http://whisperinggums.wordpress.com /2010/05/02/james-thurber-the-lady-on-the- bookcase/ |
Havia um livro dele lá em casa, acho que o "Men, Women and Dogs".
Um dos meus desenhadores humoristas preferido.
Desenhos simples com um humor muito próprio.
Para quem queira saber mais,
Alguns pequenos exemplos:
segunda-feira, janeiro 02, 2012
sábado, dezembro 31, 2011
A passagem de testemunho
2012: Então meu velho, que
mensagem quer transmitir aqui ao seu herdeiro?
2011: Olha rapaz, fui considerado
pelo meu pai, o 2010, um ano difícil, mas pelo que vejo tu vais suplantar-nos
de longe!
2012: Ora, ora… Há quem diga que
vou dar cabo da crise!
2011: Típica da juventude essa
arrogância, ou será da tua mãe canadiana?
2012: Deixemo-nos de conversa.
Afinal quer deixar a sua mensagem ou não?
2011: Vamos lá então. Gostava que
durante o teu ano fosse implantada a Monarquia.
2012: Isso já é pedir muito, não
acha?
2011: Então pelo menos que os
monárquicos se unam e consigam passar a mensagem…
2012: Já me parece mais razoável,
meu velho. Deve ser a única coisa em que concordo consigo…
2011: Espera, há mais! Ou pensas
que só há uma tarefa a cumprir num ano? Não és nenhum político…
2012: Está bem, está bem! Diga lá
de sua justiça.
2011: Tens de lutar para que a
voz do povo seja finalmente ouvida.
2012: Está maluco? Então não
existe uma coisa chamada Assembleia da República, onde estão sentados uma data
de senhoras e senhores eleitos pelo povo?
2011: Pois sim, mas em primeiro
lugar, muitos nem sequer votaram, votaram em branco ou nulo. Em segundo lugar,
há quem tenha votado, não por convicção mas por voto útil ou voto de raiva.
Assim, a dita Assembleia, não representa verdadeiramente o povo.
2012: Então mas que quer que eu
faça? Ai, ai, ai… Já me está a dar trabalho demais…
2011: Queria que tu abrisses os
olhos às gentes e mostrasses que há outros caminhos, outras formas de
representação e de participação na política. Queria que transformasses ovelhas
em homens. Já agora, gostava que conseguisses que alguns dos valores mais
importantes numa sociedade voltassem a ter dignidade, como a honra e a palavra,
por exemplo…
2012: O pai é um sonhador. Vive
noutro ano, mesmo.
2011: Afinal concordas, ou não?
Queres deixar a tua marca na História dos anos, ou não?
2012: Se isso der direito ao dinheiro
do prémio Nobel, até quero…
2011: Tudo o que te ensinei não
serviu de nada? Não viste o que se passou com as PPPs e o Parque Escolar, por
exemplo? E as Novas Oportunidades? Nem falo de mais nada… Não deixes que te
façam o que fizeram aos meus trisavós, bisavós, avós e pais. Tens de mostrar
que vais mudar tudo.
2012: Não posso prometer, mas
posso tentar. Preciso é que este povo me ajude. Adeus pai.
2011: Adeus filho. Não esmoreças
e não te esqueças do passado. Sem ele não há futuro e o teu filho não nascerá.
segunda-feira, dezembro 26, 2011
Memórias a várias mãos do Natal dos Raposo na R. de S. Ciro
(texto em contínua evolução pelas
mãos que o ditam, como exercício de memória)
Rua de S. Ciro. Casa da avó para
nós, porque não chegámos a conhecer o avô.
Jantar do dia 25, com toda a
família, o que queria dizer 6 filhos, respectivos maridos ou mulheres e 16
netos. A confusão do costume, correrias, gritos, a alegria do reencontro, mesmo
que nos encontrássemos quase todos os sábados no mesmo sítio.
Uns dias antes chegava o perú do
Alentejo, de comboio, confraternizava alegremente com as galinhas antes de ser
embebedado para o dia de Natal, em que trôpego, tentava circundar os buxos.
Vinham “milhões” de perús em
Novembro, eram engordados na R de S Ciro e vendidos para as embaixadas e
pessoas que iam comprar à porta (Zeca).
No dia 25, íamos chegando, e
corríamos directos para a salinha com porta para o jardim, onde a avó passava
os dias, sentada à camilha, a fazer paciências com cartas minúsculas e já muito
gastas.
Aos sábados entrávamos pelo
portão, depois de tocar um sino. No Natal tínhamos direito à porta principal,
ao lado, e havia uma sala que só era usada nessa altura (Catarina).
Depois do beijo respeitoso à avó
e tios, começava a confraternização, os jogos… Jogar às escondidas naquela casa levava a muitas desistências, porque havia sempre vários que nunca eram descobertos.
A avó montava um presépio grande e
já não sei em que altura chamava todos, acendia uma vela e, de joelhos,
rezávamos e cantávamos ao Menino Jesus.
Das cantigas de Natal que se cantavam, ficou-me para sempre gravada na memória a estridente entoação que o Tio Quito dava á "noiiiiite do carameeeeelo !!!!" do "Entrai pastores, entrai". Todos os anos no Natal, quando oiço esta cantiga tento imita-lo. Mas nunca me sai bem... (Joana)
Das cantigas de Natal que se cantavam, ficou-me para sempre gravada na memória a estridente entoação que o Tio Quito dava á "noiiiiite do carameeeeelo !!!!" do "Entrai pastores, entrai". Todos os anos no Natal, quando oiço esta cantiga tento imita-lo. Mas nunca me sai bem... (Joana)
Quando eram pequenos os tios apanhavam
no jardim o musgo para pôr no presépio. A avó Tim, às escondidas, punha dinheiro em notas
debaixo do musgo com um nome de um pobre da rua. Depois dizia que aquele musgo
já estava seco, as crianças tiravam-no, viam as notas com os nomes e iam dar as
notas a essas pessoas, como se fosse um presente do presépio (Tia Bió).
A Ana Rita era posta em cima de
uma mesa a imitar a Madre Rosa das Escravas (Catarina).
O jantar era numa mesa gigantesca,
e aquele perú recheado não se compara com mais nada que tenhamos comido no
resto das nossas vidas.
Nem me lembro bem dos presentes.
Havia é claro, mas a lembrança de estar juntos é que fica.
quinta-feira, dezembro 01, 2011
Primeiro de Dezembro (pela mãe - 2003)
Por Teresa Maria Martins de Carvalho
Já não se usa. A “pátria” já não enche os corações. Na organização das nações
como nações, o factor económico predomina. Nações viáveis são aquelas cujas
estruturas terão capacidade para aguentar-se em pé, contra si próprias e as
forças de destruição, que às vezes sobem à tona, e também contra aquilo ou
aqueles que de fora se servem do país como caixote de lixo.
Não se insistiu muito no caso de as autoridades francesas e espanholas terem combinado entre si enxotar o Prestige, a escorrer nafta, para as costas portuguesas. O alerta “nacional” foi rápido e evitou o pior para Portugal.
Somos Europa, etc. e tal. Só às vezes... A mesma moeda nas vénias aos grandes que violam pactos cujas leis deveriam ser iguais para todos. Só quem recebeu a Europa Unida, de braços abertos como quem recebe a paz universal, lisa e limpa, se surpreenderá com estas infidelidades nacionais, ou melhor, a arrogância dos grandes, neste caso a França e a Alemanha... Sem elas não haveria Europa? Então aguentem para nós nos aguentarmos. O peso da economia dos dois países é determinante para a saúde económica da União Europeia. É “economicamente” conveniente. Quem faz as contas é que sabe.
Esta retoma útil da bandeira nacional tanto ajuda nas dificuldades dos grandes como na escapatória dos pequenos. Aquilo a que se chama pátria, volta a ter valor, não só para vitórias futebolísticas mas para exorcizar ameaças ou então para servir de encosto a uma posição difícil dos grandes, com piscar de olhos conivente.
Com o grande Mestre que foi Henrique Ruas, há largos anos aprendi, à mesa do PPM, uma frase de Santo Agostinho que me tem acompanhado desde então, como alicerce inabalável em que assentar o meu discurso político.
Populus est coetus multitudinis rationales, rerum quas diligit concordi communione sociatus (De Civit. Dei, XIX, 24)
(Povo é a porção da multidão racional associada pela comunhão concorde nas coisas que ama)
A pátria, o povo que nela encarnou, seria assim da ordo amoris, afirmação que irá concerteza incomodar os racionalistas de serviço. Até porque a data, exaltante e comovente, do 1º de Dezembro, que gera gritos incómodos, um pouco démodés, não se coaduna com a visão económica do novo viver europeu. Até os estudiosos reclamam que, no século XVII, só quando o governo espanhol apertou a bolsa aos contribuintes portugueses, estes se lembraram de que não eram espanhóis e que bem podiam ter outro rei... A Guerra da Independência esgotou depois o país mas o povo reconheceu que aquilo de que gostava (e nisso incluía o lugar real para o Duque de Bragança) não eram só “valores espanhóis”.
As forças do lugar, como diria o meu amigo Álvaro Dentinho, são muito mais determinantes para a identidade do povo, que o habita, do que se pode imaginar. Com litoral e oeste, somos filhos do poente, fácil cais de embarque para a saída, estamos não estamos, até inventámos a saudade para podermos sair sem remorso.
Dizem as más línguas que se Filipe II tivesse feito de Lisboa a capital das Espanhas, nunca teria havido restauração de Portugal, porque a força dos lugares, assim estimados, teria dado a Espanha essa humidade da costa portuguesa que, como disse o pintor Dali, se sente na pintura de Velásquez, cuja mãe como se sabe era do Porto. Pois. A Espanha (Castela, s. f. f.) tem uma enorme força centrípeta e que, até agora, com a ajuda da Monarquia, tem mantido unidas as autonomias, mas que colide sempre com a força centrífuga, não menos importante, que é Portugal. Assim estaremos equilibrados.
Não faz sentido festejar o 1º de Dezembro? Outra invasão, insidiosa, talvez mais potente do que o exército do Duque de Alba, vem acontecendo, com o aval de todos, agora quando nem sequer já há pesetas...
Comprar produtos espanhóis, descontar em bancos espanhóis, ir ao médico ou ao dentista espanhóis... Se forem bons, tanto melhor. Ser espanhol não é por si uma ameaça apesar de andarmos com a Espanha às costas... Estamos habituados às misturas que aprendemos em África, na Ásia e no Brasil. Se, na maré enchente da União Europeia, houver sobrevivência de Portugal, suficiente para se reconhecer a si próprio, será sempre indicando essas lonjuras, pátria de pátrias...
É o poder económico que vai "comprando", no verdadeiro sentido da palavra, o solo português, como fizeram os judeus na Palestina. Os espanhóis compram terrenos no Alentejo, fábricas, lojas, bancos, consultórios. Já nem é preciso gritar para recuperar Olivença. Ela virá ter connosco através desta ocupação do território... Há portugueses, sobretudo na raia, que não se importavam de ser espanhóis. Ganhavam mais. Viviam melhor. É sempre o factor económico.
Festejar o 1º de Dezembro? Quem não se lembra do seu passado não pode viver convictamente o presente. Comer bolachas espanholas não baralha necessariamente o ser e o estar, essa distinção da língua que nos guarda de confusões, patrióticas ou outras.
in http://jacarandas.blogspot.com/2003_12_01_archive.html
Não se insistiu muito no caso de as autoridades francesas e espanholas terem combinado entre si enxotar o Prestige, a escorrer nafta, para as costas portuguesas. O alerta “nacional” foi rápido e evitou o pior para Portugal.
Somos Europa, etc. e tal. Só às vezes... A mesma moeda nas vénias aos grandes que violam pactos cujas leis deveriam ser iguais para todos. Só quem recebeu a Europa Unida, de braços abertos como quem recebe a paz universal, lisa e limpa, se surpreenderá com estas infidelidades nacionais, ou melhor, a arrogância dos grandes, neste caso a França e a Alemanha... Sem elas não haveria Europa? Então aguentem para nós nos aguentarmos. O peso da economia dos dois países é determinante para a saúde económica da União Europeia. É “economicamente” conveniente. Quem faz as contas é que sabe.
Esta retoma útil da bandeira nacional tanto ajuda nas dificuldades dos grandes como na escapatória dos pequenos. Aquilo a que se chama pátria, volta a ter valor, não só para vitórias futebolísticas mas para exorcizar ameaças ou então para servir de encosto a uma posição difícil dos grandes, com piscar de olhos conivente.
Com o grande Mestre que foi Henrique Ruas, há largos anos aprendi, à mesa do PPM, uma frase de Santo Agostinho que me tem acompanhado desde então, como alicerce inabalável em que assentar o meu discurso político.
Populus est coetus multitudinis rationales, rerum quas diligit concordi communione sociatus (De Civit. Dei, XIX, 24)
(Povo é a porção da multidão racional associada pela comunhão concorde nas coisas que ama)
A pátria, o povo que nela encarnou, seria assim da ordo amoris, afirmação que irá concerteza incomodar os racionalistas de serviço. Até porque a data, exaltante e comovente, do 1º de Dezembro, que gera gritos incómodos, um pouco démodés, não se coaduna com a visão económica do novo viver europeu. Até os estudiosos reclamam que, no século XVII, só quando o governo espanhol apertou a bolsa aos contribuintes portugueses, estes se lembraram de que não eram espanhóis e que bem podiam ter outro rei... A Guerra da Independência esgotou depois o país mas o povo reconheceu que aquilo de que gostava (e nisso incluía o lugar real para o Duque de Bragança) não eram só “valores espanhóis”.
As forças do lugar, como diria o meu amigo Álvaro Dentinho, são muito mais determinantes para a identidade do povo, que o habita, do que se pode imaginar. Com litoral e oeste, somos filhos do poente, fácil cais de embarque para a saída, estamos não estamos, até inventámos a saudade para podermos sair sem remorso.
Dizem as más línguas que se Filipe II tivesse feito de Lisboa a capital das Espanhas, nunca teria havido restauração de Portugal, porque a força dos lugares, assim estimados, teria dado a Espanha essa humidade da costa portuguesa que, como disse o pintor Dali, se sente na pintura de Velásquez, cuja mãe como se sabe era do Porto. Pois. A Espanha (Castela, s. f. f.) tem uma enorme força centrípeta e que, até agora, com a ajuda da Monarquia, tem mantido unidas as autonomias, mas que colide sempre com a força centrífuga, não menos importante, que é Portugal. Assim estaremos equilibrados.
Não faz sentido festejar o 1º de Dezembro? Outra invasão, insidiosa, talvez mais potente do que o exército do Duque de Alba, vem acontecendo, com o aval de todos, agora quando nem sequer já há pesetas...
Comprar produtos espanhóis, descontar em bancos espanhóis, ir ao médico ou ao dentista espanhóis... Se forem bons, tanto melhor. Ser espanhol não é por si uma ameaça apesar de andarmos com a Espanha às costas... Estamos habituados às misturas que aprendemos em África, na Ásia e no Brasil. Se, na maré enchente da União Europeia, houver sobrevivência de Portugal, suficiente para se reconhecer a si próprio, será sempre indicando essas lonjuras, pátria de pátrias...
É o poder económico que vai "comprando", no verdadeiro sentido da palavra, o solo português, como fizeram os judeus na Palestina. Os espanhóis compram terrenos no Alentejo, fábricas, lojas, bancos, consultórios. Já nem é preciso gritar para recuperar Olivença. Ela virá ter connosco através desta ocupação do território... Há portugueses, sobretudo na raia, que não se importavam de ser espanhóis. Ganhavam mais. Viviam melhor. É sempre o factor económico.
Festejar o 1º de Dezembro? Quem não se lembra do seu passado não pode viver convictamente o presente. Comer bolachas espanholas não baralha necessariamente o ser e o estar, essa distinção da língua que nos guarda de confusões, patrióticas ou outras.
in http://jacarandas.blogspot.com/2003_12_01_archive.html
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