quinta-feira, junho 16, 2011

Dia 3 - Diário de viagem de uma cesta e duas malucas (Modo telegráfico) Istambul em 5 sentidos e mais uns…

3º dia: 9 de Junho de 2011

Depois do impacto de Haghia Sophia, que com a sua grandiosidade, consegue abraçar muitas eras num todo harmonioso, acordámos um bocadinho mais tarde. Estamos de férias!
Destino de hoje: Palácio Topkapı (Topkapı Sarayı). A pé, porque o hotel é mesmo central.
No caminho, um homem com uma espécie de carrinho, um coelho e um galo, promete adivinhar o futuro ou conceder desejos, não se percebe bem.
Obriguei a que começássemos pelo Harém. Filha sempre no gozo por causa dos meus gritos de excitação. Sugere que case com um turco. Declino.
É lindo, lindo, lindo. Azul, azul, azul, sempre diferentes os azulejos, pátios, recantos…



A cesta senta-se num banco e diz que quer ficar. Explicamos que o harém já não funciona, nem ela tem idade para ser concubina.


Nem de propósito, eis a passagem das concubinas.









Seria esta a visão das mulheres nalguns dias?















No meio de um descanso, começa o chamamento à oração em toda a Istambul. Ouvido ali de cima, é impressionante: centenas de cânticos em simultâneo, sem pausas (é essa a ideia, que não se deixe de ouvir).






Passamos ao resto do palácio. Pavilhões a surpreenderem a cada canto. Nalguns sítios, uma vista fabulosa para o Bósforo. Primeiro enamoramento.





Visto: o tesouro (as gemas de esmeralda displicentes numa taça, como se fossem rebuçados gigantes), o guarda roupa imperial (que faziam eles a mangas do tamanho de uma pessoa? Arregaçavam?), a sala do Trono, o Sofa Imperial. Uma maravilha, em suma!


Almoço tardio de sanduíches no restaurante que já sabíamos caro mas com vista para o Bósforo…


Descida para o Museu Arqueológico (Arkeoloji Müzesi). Uma colecção incrível de sarcófagos, incluindo o Sarcófago de Alexandre (espectacular).


Área dos sumérios com a escrita cuneiforme (amoroso o mais antigo poema de amor escrito. Trata-se de um bocado da Epopeia de Gilgamesh, e já agora, para os interessados, deixo ligação para mais informação: http://www.infopedia.pt/$a-epopeia-de-gilgamesh)


Assírios (sempre adorei! No Museu Britânico lembro-me de ir a correr directa para a secção da Mesopotâmia e saboreava dizer Nabucodonosor!). Eis senão quando, nem mais nem menos, e de chofre, o Painel da Porta de Ishtar, de quem? Nabucodonosor! Felicidade!


Descemos mais ainda, até à Estação do Expresso do Oriente (Sirkeci Gan). Adorei. Tem partes da fachada a cair. Um restaurante bem arranjado, chamado…Orient Express. 



Cesta quis descansar mesmo na sala de espera da estação. Afirmou que não saía dali sem ver o Hercule Poirot e as célulazinhas cinzentas, ou no mínimo a Agatha Christie. Difícil convencê-la, a teimosa.



Descemos mais um bocadinho até á frente do rio. Mais Bósforo. Segundo enamoramento.


Alguns vendedores (também noutras zonas) com um banco, um balde e limão, a apregoar mexilhão, não percebemos se cru ou cozido. Os turcos abrem o mexilhão, o vendedor põe limão e o cliente come deliciado, já com a mão no seguinte. De um quiosque, chegava um cheirinho óptimo a peixe grelhado. Atracção imediata. Sanduíche de peixe! Uma delícia…
Sentadas no muro à beira rio, a comer a sanduíche. Barco que parte. Molha certa, incluindo cesta, que refila.
Caminhar por baixo da Ponte Galata até ao fim e voltar a namorar o Bósforo. A cesta está cansada.




Jantar num restaurante caríssimo debaixo da Ponte Galata. Dourada, óptima.
















Os bilhetes do dia...



Entretanto a filha gostou da Coca cola turca (Cola Turka) e ainda mais do iogurte líquido turco, o Ayran. Passou a ser obrigatória a compra diária de Ayran em conjunto com a água.
Tenho estado também a ler o livro de Orhan Pamuk – Istambul memórias de uma cidade mas em péssima tradução. Comprei outro dele na loja do Palácio Topkapı. Em inglês.

Cada vez sabemos mais palavras turcas e usamos. Sem pudor.


Nota: mais fotografias na página da cesta, no facebook: https://www.facebook.com/apaginadacesta.thebasketspage

terça-feira, junho 14, 2011

Dia 2 - Diário de viagem de uma cesta e duas malucas (Modo telegráfico) Istambul em 5 sentidos e mais uns…

2º dia: 8 de Junho de 2011
Levantar 8h 30m. Pequeno-almoço no terraço, 3 andares acima, sem elevador, escadas em caracol. Empregado minorca com olhar triste, triste… Vista para os telhados de Istambul. Pequeno almoço, simples mas bom. Nêsperas!

Pássaros como companhia. Uma espécie de corvos, mais pequenos, cinzentos e pretos. Depois pardais. No telhado ao lado, gaivotas, rindo alto e de modo desbragado, como velhotes num convívio.


Agora a cesta amuou outra vez porque não foi ao pequeno-almoço.
De volta à Mesquita Azul. 






A cesta insistiu que tinha de tirar um retrato sózinha porque não tinha ido ao pequeno almoço.
 

Descalçar, sapatos num saco, pôr as nossas écharpes como lenço. Grande. Alta. Azulejos lá muito no cimo. Azul. Tapete no chão. Fotografias. Cheiro a chulé.


Jardim entre Mesquita Azul e Haghia Sophia (Aya Sofya). Filha senta-se no chão, entre bancos, e desenha.





Haghia Sophia com visita áudio, mas só um aparelho. Uma tenta explicar à outra o que ouviu. Às vezes não sai muito bem: muitos nomes turcos… Sequência numérica quase nunca seguida, mas que interessa?



O melhor: Nossa Senhora com o Menino Jesus no topo, o arcanjo Gabriel, os patriarcas na Galeria em cima, o Cristo Pantocrator, enfim, todos os painéis, o sítio das coroações, o lugar que onde estava o trono...




 e os gatos a dormir ao pé de um foco de iluminação, por trás de tudo.



Primeira experiência sensorial com o café turco: é óptimo! Só temos de esperar que assentem as borras…



E o chá diz-se çay, que se lê chai! Estamos a aprender palavras turcas mas obrigada é complicado: Teşekkür ederim!

Depois de um almoço assim-assim, rumo à Cisterna da Basílica (Yerebatan Sarayı). Ambiente impressionante, à média luz, colunas e colunas gigantes, coríntias mas também dóricas, cabeça de medusa como base de 2 colunas, uma virada ao contrário, outra de lado. E até tem peixes no fundo da cisterna... Um cenário lindo e fora do vulgar! Sentimo-nos mesmo fora do tempo. 

























Os bilhetes do dia...




O que cansa mais, é dizer não obrigada a todos os passos que damos. Até a cesta já está tão farta que temos medo que desate aos palavrões!
Todos querem saber de onde são os turistas, uns para poderem utilizar a língua desse país para venderem melhor, outros, só por curiosidade. Tentam adivinhar, e nós fazemos-lhes a vida negra! A cesta farta-se de rir. Passamos por iranianas, paquistanesas, espanholas, árabes, tudo menos portuguesas (somos mesmo pequeninos…).

Jantar otomano: caro, mas uma delícia!!

NOTA: Com excepção da filha a desenhar e dos bilhetes, as fotografias são todas tiradas pela Marta, dona de uma verdadeira máquina (só tenho a do telemóvel!)

segunda-feira, junho 13, 2011

Diário de viagem de uma cesta e duas malucas (modo telegráfico) Istambul em 5 sentidos e mais uns

1º dia: 7 de Junho de 2011
Alvorada às 5h 30m (deitámo-nos às 3h 30m). Voo às 7h 55m para Zurique (Swissair mas pela TAP).

Filha ao meu lado no avião. Não acontecia desde 2006! Tempos difíceis adiam tantos sonhos… O mundo para mostrar e não posso!
Ainda nem cheguei e já choro sem razão. Será como a primeira vez no Louvre, onde a cortina de lágrimas não me deixou ver nem um quadro? Coisa estúpida.
Suíça: montanhas ainda com neve! Lagos e mais lagos, bordejados de casinhas. Rectângulos perfeitinhos de verdes que nem conheço.
Voltas e voltas para aterrar. Ai! Ai! que vamos perder o avião para Istambul… Ainda antes de aterrar, vê-se um canivete suíço gigante desenhado em terra (com plantas?).
Terminal diferente do da chegada. Correria. Afinal mais que a tempo.
Avião com pneu em baixo (esta nunca me tinha acontecido…). Espera para mudar pneu. Atraso de 1 hora.
Finalmente, chegada. Fila para comprar vistos. Fila para mostrar vistos. Malas já fora do tapete, mas ainda lá.
Confusão para apanhar táxi. Estamos a ser enganadas de certeza, mas fazemos o quê?
Hotel, pequenino, délabré, serve lindamente, muito central. Senhor do hotel com tirada velha de sermos irmãs. A cesta amuou por não ter sido incluída no elogio.

Caminhada até ao Hipódromo (At Meydanı), à frente da Mesquita Azul (Sultanahmet Camii)através de um jardinzinho. Fotografia à cesta e a nós no jardim. Senhor oferece-se para tirar retrato às três. Ao fim de várias tentativas, nós falando em português com muitos gestos (ele também não sabia inglês!), e ele em turco, sucesso. Relativo... estamos mesmo desconfiadas, e então a cesta, nem falar!



Obelisco egípcio (Dikilitaş) trazido de Luxor por Constantino. Fonte do Kaiser Wilhem II (neo-bizantina). Filha não pára de tirar fotografias, e diz que não empresta, a egoísta.
Cães em matilha a lembrar Atenas.
Gatos. Gatos. Gatos. Gatos.
Chamada à oração na Mesquita Azul. Lindo. Uma desgarrada entre mesquitas.

Passeio nocturno. Gelado com direito a espectáculo malabaristo-humorístico com o dito. As montras das pastelarias! Que maravilhoso espectáculo de calorias…

Jantar, a tirada do costume. Cesta volta a ficar amuada. Filha recebe guardanapo de papel feito rosa, mais tarde uma flor de campo. Proposta de 100 camelos, mais umas tantas ovelhas e outras preciosidades. 
Nem a brincar!

sábado, junho 04, 2011

De como o dia-a-dia destrói as melhores teorias

Uma das coisas que me lembro bem de casa da minha mãe era o livro do Dr. Spock, versão “pocket”, que incluía uns desenhos engraçadíssimos, mas já com muitas folhas soltas, resultado óbvio da constante solicitação por parte de desvelados pais primeiro, e depois por mãe-viúva em permanente desconcerto perante as três terríveis criaturas que lhe couberam em sorte, após uma linda espera e nascimento proporcionados pelo fantástico Dr. Monjardino.
Pensando que os resultados alcançados por tal consulta a essa «Bíblia» não teriam sido tão maus como isso, a minha barriga de 5 meses já tinha devorado os capítulos pelo menos até ao ano de idade.
Após o feliz acontecimento obtive também a possibilidade de consultar as revistas emergentes sobre o assunto, com a natural sofreguidão de quem não quer cometer muitos erros.
Assunto frequentemente abordado e com opinião firme generalizada é “criança na cama dos pais”, ao qual sempre fui sensível, logicamente concordando com a negativa expressada sobre tais situações.
Tal nunca englobaria, na minha opinião, aquelas manhãs saborosas de fim-de-semana, férias, Natal, etc.... de que na minha mente perduravam as memórias de nós os três enfiados numa cama de corpo e meio e disputando o lugar ao lado da mãe. Agora já tenho alguns remorsos retroactivos em relação àquela “mater familias”, cujas manhãs livres eram disputadas logo às 8 horas, mas o bem que sabia sobrepunha-se a todo o desconforto causado.
Seguindo este raciocínio, quanto a minha criança aos 18 meses, lá descobriu como saltar da cama (não sei bem como, mas parece que tinha a ver com uma cómoda um pouco afastada da cama), começou o fatídico percurso entre o seu quarto e o nosso.
Ao princípio, sucedia relativamente cedo, 11 horas, meia-noite, pelo que o percurso contrário era rapidamente percorrido sem grandes alaridos, até porque dava direito a colo.
Só que ninguém conta com o inconsciente escondido da mente infantil, e quando a vontade é muita, nada há que o faça parar...
Assim começou a medir forças.
Como à meia-noite ou 1 hora da manhã o resultado não satisfazia, aquela mente perversa tratou de contornar a situação. A primeira coisa de que se lembrou foi de levantar obstáculos no percurso, que consistiam em fechar a porta do seu quarto e depois a porta do quarto dos pais.
Perante resultados infrutíferos, foi adiantando a hora de aparecer, até que descobriu a hora ideal (ainda hoje estou para saber qual é, mas situa-se algures entre as 3 e as 6 horas da manhã).
A tal hora ideal só se depara com duas situações: ou ninguém por nada; ou se alguém dá por alguma coisa, ainda tem o desplante de colocar o melhor sorriso de vitória naquela carinha, dar um beijinho complacente na testa e pedir para lhe aquecerem os pés.
Perante tais factos e uma criança um pouco fora do vulgar (com 4 anos mede um metro e quinze centímetros e pesa 30 quilos) desafio qualquer autor dos tais artigos a cumprir as suas teorias (até forneço a chave de casa!).
Quanto a mim, conformada e aspirando a melhor estado da minha coluna, respondo: - Levem-na para a cama dela vocês!

Leonor Raposo.
(mãe da Marta)
Publicado na secção de Perguntas e Respostas da Revista Pais & Filhos de Março de 1994

sexta-feira, junho 03, 2011

Frôlements innocents,
troublants…
Regards complices,
perturbants…
Folles pensées,
vite oubliées.
Plus jamais on s’aimera comme ça,
Du regard…

Leonor 
2003

Lidos e vistos













O da esquerda achei horrível. Não tem mesmo graça nenhuma.                        

O da direita é do melhor que tenho lido. É fantástico!!! Desenho e história excepcionais. Pormenor de o "herói" ser pior desenhado que os outros.



terça-feira, maio 17, 2011

Eles, o país deles, eu e o meu país

O país deles é uma gruta, cuja porta gigante, uma beleza esculpida há séculos em estilo manuelino, não lhes desperta qualquer interesse senão porque se pode abrir, à voz de uma senha fornecida pelo primeiro deles há já bastantes anos.
Nessa gruta havia muitos tesouros, de toda a espécie. Baús e baús de ouro, jóias e quadros, em cujas tampas estavam inscritas delicadamente, a tinta da china, “honra”, “palavra”, “honestidade”, “justiça”...
Veio o primeiro, o que descobriu a senha por tortuosos caminhos, depois um segundo, e pouco a pouco foram sendo cada vez mais e serviram-se...
Abruptamente arrancaram as tampas da justiça e honestidade e retiraram o ouro. Com pés de cabra violentaram as da honradez e da palavra e carregaram as jóias. Tudo saquearam, mas eles não têm remorsos.
O país deles não tem pessoas, vidas, almas. Tem números, negócios e interesses.
Eles acham-se pastores de ovelhas, mas são eles afinal as alcateias que as devoram.

O meu país é um Reino. Povoado de gente, vidas e almas.
Gente boa, justa e honesta, com honra e palavra.
Como o taxista que agora faz horário nocturno para ajudar a filha a pagar a casa, porque foi despedida. Como aquele que abdicou da maçã do seu farnel, só para que provasse uma verdadeira maçã portuguesa. Como as velhinhas que se levantam para dar lugar a outras velhinhas.
O meu país é História e histórias, cheiros, sons, memória e a alma dos seus.
O meu país é pacífico e ordeiro, mas também aventureiro quando quer. E pega a adversidade de caras, sobrevive e cresce.

Mas a cada dia que passa o meu país é mais o país deles.

Quero o meu país de volta, com seus baús intactos.
Quero fechar a porta da gruta e mudar a palavra passe para que ninguém mais se sirva.

Leonor
17/05/11

Lidos e vistos


Muito bons, ambos!


sexta-feira, abril 22, 2011

O cartão europeu de saúde e eu

Como costumo andar de um lado para o outro, resolvi renovar o cartão europeu de saúde que estava há muito fora de prazo.
No meio de Março, utilizando as novas tecnologias, entrei no sítio da ADSE e online, fiz a respectiva requisição, sabendo que já não daria para o fim de Março, mas para ver se ainda dava para uma esperada reunião no princípio de Abril.
Fiz questão de dizer em comentário que não era só para aquela data mas que saía muito.
Chegou ontem, dia 20 de Abril. Para a reunião que queria, foi tarde demais.
Agora, só penso ter novas reuniões lá para finais de Setembro, e durante Outubro e Novembro, mas pelo menos já daria para utilizar o novo cartão.
Daria! Se o cartão não tivesse como prazo de validade, 31/07/11, ou seja, desde que recebi, um prazo de uns 3 meses e uns dias…
Não percebo. Enganaram-se ou estão à espera, devido à minha provecta idade, que morra nos próximos 3 meses?
É assim que se gasta o dinheiro que foi cortado do meu singelo ordenado?
Pois, porque agora, tenho de voltar a pedir outro cartão.
E peço já, ou é melhor esperar até 3 meses antes de viajar? É que se peço já, o prazo de validade pode acabar em Agosto…

Lidos e vistos


O Bouncer é uma maravilha, e ainda só li 3 volumes...

quarta-feira, abril 20, 2011

Aviso importante aos 3 da vida airada (por enquanto só um…)

Os níveis de tributação em Portugal estão de tal forma altos que, em cerca de 5 anos, se foi dando cabo de um aumento que com certeza era lento, mas se via gradual, de absorção da economia paralela na economia de concorrência leal, dita normal.
Basta olhar à nossa volta.
Quem não pagou na última semana sem factura?
Quem não conhece gente que anda a receber “por fora” e nem quer ouvir falar de IRS, IVA ou Segurança Social?
Tirando os casos crónicos, dificilmente recuperáveis, o cenário com que agora deparamos é a fuga generalizada, às vezes contestária, outras por necessidade de imediata liquidez face aos apertos mortais da crise.
Ora, a muitos parece pacífica que uma eventual medida proposta pelos 3 da vida airada seja um aumento de impostos, mais especialmente do IVA.
Que engano!! Não há aqui elasticidade. Há limite no aumento da receita proporcional ao aumento dos impostos.
E esse limite até já foi ultrapassado…
Por isso, alterar a taxa do IVA para 25% (taxa dos países nórdicos!) apenas vai contribuir para incrementar a economia paralela e a fraude (já não só a evasão…), tendo como único efeito o contrário do que se pretendia, ou seja, a diminuição da receita do Estado.
É que 25% é uma margem de lucro muito apetecível, e o mesmo se pode dizer das novas percentagens da Segurança Social…
Depois vamos levar mais 30 anos para tentar levar o rebanho à cerca certa, a da sã economia concorrencial e sem deslealdades…

terça-feira, março 22, 2011

Pai

Há uma fotografia da minha avó Tim (pequena mas extraordinária e corajosa mulher do nosso avô Hipólito Raposo) com os 6 netos da altura, tirada no Verão de 1964. 
O meu pai morreu nesse Verão. A 15 de Agosto.
Não se preocupe, pai, porque a mãe fez tudo para que estivesse presente. O pai era uma espécie de herói da mãe, e passou a ser o nosso herói. Em todas as oportunidades contava-nos histórias sobre o pai. Super inteligente, raiando a genialidade, com imenso sentido de humor, congregava em si quase todas as qualidades.
Únicos defeitos, mau génio e um zero à esquerda na arte do desenho. E logo tinham de calhar a mim, como única herança genética, essas facetas...
Sempre que podia, a mãe também nos proporcionava figuras que de alguma forma pudessemos sentir como paternais. O tio João, por exemplo, chamado à pressa para vir ralhar quando já nada resultava, o Vasco Vieira de Almeida, amigo do pai, que nos ia supervisionando, mais tarde o Jorge Sottomayor de Almeida...
Devia ser a única dos três com lembranças do pai, mas tenho poucas.
Lembro-me de coisas que fiz consigo.
Lembro-me de estar sentada à sua frente na garupa da égua garrana de Cinfães. É verdade que há fotografia, mas tenho memória física desse andar a cavalo.
Lembro-me de ir voar de avioneta. Da sala de espera do aeródromo, nem sei qual, e do “chão” da avioneta. Devia estar cheia de medo, para me lembrar do olhar para baixo.
E lembro-me da sua mão. Não me lembro da sua cara mas lembro-me da sua mão. Era muito importante, a sua mão. Grande e segura. E tenho a certeza que era a sua mão, porque a unha do polegar era diferente, e a mãe explicou que tinha sido pisada por um cavalo.
Parece que é pouco, mas para mim é tudo.
Lembro-me da mão do meu pai.

Lisboa, 19 de Março de 2011

(Soube depois que a fotografia que me levara a escrever o texto tinha sido tirada em Setembro, exactamente aquando da missa pelos trinta dias da morte. Não está aqui por razões óbvias.)

sábado, março 05, 2011

Direito de resposta de uma superficial aterradora a um Senhor Doutor


Foi assim, de uma aterradora superficialidade, que foram por si classificados os antagonistas do acordo ortográfico, mesmo que interpondo a palavra habitualmente, para acautelar algumas posições mais...profundas.
Sim, eu superficial me confesso, mas ainda assim quero exercer o direito à minha superficial resposta, até porque uma superficial também tem direito à vida, mesmo que...superficial.

E pretendia exercê-lo de uma forma interrogativa, porque assim vai o meu estado de alma.

  • Se até agora, e durante alguns séculos, os portugueses liam livros de escritores brasileiros e vice-versa (esta superficial acabou de ler a “A maçã no escuro” da Clarice Lispector, mas como é superficial demorou algum tempo, claro!) e nunca se queixaram, qual foi a verdadeira razão invocada para a necessidade de um acordo?
  • Algum editor brasileiro deixou de publicar livros de escritores portugueses, ou era feita uma “tradução”?
  • Se há brasileiros incapazes de ler livros de escritores portugueses, ao celebrar-se o acordo desta forma estamos a descer ao nível? Não devíamos antes elevá-lo?
  • Qual é a diferença para um brasileiro ler acto em vez de ato? Não é a fonética que funciona também na leitura? Eu, que não sei italiano, para ler nessa, para mim, atraente língua, tenho de ler alto... mas pronto, eu sou superficial.
  • Não se está a contribuir para uma cada vez maior existência de palavras homónimas?
  • Porque se esqueceram, ou melhor, se desprezaram, as raízes etimológicas? Evolução implica renegar passado?
  • Pretende-se, com o acordo, ganhar mais leitores? Não seria mais eficaz o investimento na educação?
  • Com o acordo deixa de haver liberdade de expressão? Não me posso exprimir sem ser através do diktat instituído (sou funcionária pública...)?
Acredito, como assumida superficial, que terá resposta a todas estas questões. Uma resposta muitíssimo inteligente (reparará que ainda escrevo à moda de um acordo anterior ao anterior acordo), e sinceramente espero que me convença. Duvido.

Como nota final apenas um pequeno reparo a erros ortográficos no seu texto, com acordo ou sem acordo, com certeza devidos à emoção com que quer expor os seus argumentos. Nem reparei.

Em tempo: adorei ler “Os desastres de Sophia”, e todos os livros da Condessa, em edição encadernada,com gravuras da época, e nunca pensei que continham erros...

quarta-feira, março 02, 2011

Esboço de análise sociólogica dos Monárquicos

Categorias detectadas:

Monárquicos militantes
Monárquicos ideólogos
Monárquicos envergonhados
Monárquicos disfarçados
Monárquicos em busca do título perdido
Monárquicos anarquistas
Monárquicos integralistas
Monárquicos liberais
Monárquicos absolutistas
Monárquicos constitucionalistas
Monárquicos genéticos
Monárquicos estéticos
Monárquicos surreais
Monárquicos porque sim

As categorias não são estanques, há quem se encaixe em várias e até em todas (dependendo do ambiente circundante...)

Nota: isto é apenas uma brincadeira. Mas podem avançar com as críticas brutas, a esta bruta em tratamento de recuperação de brutodependente...

domingo, fevereiro 20, 2011

Utopie

C'est l'Utopie, notre amie, notre camarade,
Des terribles moments passés, enfermés,
Dans un lieu de châtiment.

Oui, c'est elle qui nous aide à vivre,
Et à survivre
Dans une minuscule cellule,
D’une toute petite maison,
Microscopique point de l'Univers...


1976?
A propósito de uma conferência da mãe no PPM sobre a Utopia (a do Tomas More e outras)

Lido e visto

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Encosto

Uns certos 5 minutos e meio cada mês ou cada 2 meses, eu, que adoro estar sozinha, confesso, após tortura, que sinto falta de companhia.

E estranhamente, já nem me interessa que seja companhia para conversar, uma das minhas eternas queixas.

Não.

Agora, pelo menos de vez em quando, só queria alguém a quem me encostar. Sem falar. Sem gestos.

Só encosto.

sábado, fevereiro 12, 2011

O Autocarro

(Pedaços de qualquer coisa que ainda hei-de acabar, talvez em forma de diálogos)

Não há como andar de autocarro...

O metropolitano é da elite, o metro é chique, o autocarro é do povo.

Do meu povo, não da burguesia, complexada, complicada...

A burguesia média, baixa, alta ou a que aspira a ser burguesia, só anda de transporte público se não tem mesmo outro remédio. E quando tem de ser, é de metro.

Andar de carro dá status.

Para usufruir de uma hora de lazer no Bairro Alto, são capazes de andar às voltas outras duas, procurando desesperadamente qualquer buraco para estacionar e arriscar a que na volta as rodas estejam bloqueadas.

Acarinham-no como se fosse o animal de estimação da família, com capas cinzentas protectoras, escovam-no suavemente aos fins-de-semana, e só não o levam para a cama porque não cabe no elevador... Na minha rua estacionam-no no passeio mesmo em frente da porta, para não o perder de vista, e calculo que o vão espreitar à varanda de vez em quando, lançando olhares ternurentos e cúmplices.

O autocarro, esse, é do povo.

Do povo que refila, se queixa, se ampara, quando o condutor não espera e não lhes liga.

Do povo que ouve pacientemente do vizinho da frente queixas de operações médicas feitas e por fazer, e contrapõe com operações maiores e piores, numa eterna batalha à procura da medalha de mérito por desgraças...

Do povo que faz questão mesmo que toda a gente saiba que o seu neto Iuri (não é lindo, o nome? Fui eu que escolhi!) é a criatura mais prodigiosa à face da terra, ainda não descoberta, mas já em castings para a próxima novela.

Do adolescente com excrescências nos ouvidos, das quais nos chegam não as músicas, mas já só os ritmos, tchibum tchibum tchibumbum, tchibum tchibum tchibumbum, cópia barata dos carros ao lado, que nos presenteiam, de vidros abertos, qual discoteca privada ambulante, com a música pimba ou afro mais recente.

Da concorrência aberta e feroz entre velhotas e crianças numa ânsia de serem os primeiros a pressionar o botão para parar, ainda o autocarro não saiu da paragem anterior.

Do povo que se indigna com o que avalia como injustiças, seja do condutor, dos jovens que não dão o lugar, das mudanças e encurtamento de trajectos, da vida, em geral e em particular.

Do povo que anuncia o Outono no autocarro com o cheiro a naftalina do casaco acabado de tirar do armário.

Dos silêncios repentinamente quebrados com comentários aguerridos contra os governos, centrais e locais, bastando que alguém se lembre de começar.

Da solidariedade espontânea para com quem não sabe onde há-de sair, com indicações precisas e contraditórias de todos sobre a paragem, as ligações, o número do autocarro a apanhar, os metros a percorrer a pé até ao destino, e de como a discussão passa a conversa sobre os bons velhos tempos em que uma sardinha era dividida por sete, o bilhete custava 25 tostões, os jovens eram educados, o dinheiro era pouco mas chegava, o começar a trabalhar aos 11, as galinhas e vacas não eram hormonas...

Se um estrangeiro entra no autocarro num desses momentos há-de pensar que todos se conhecem há longa data.

É a comunidade efémera do mesmo percurso diário, que se esvai quando as portas se abrem...


10/03/06 e 12/02/11


quinta-feira, janeiro 27, 2011

Já percebi porque as minhas posições políticas parecem estranhas quiçá bizarras.

É genético! 

De um lado, monárquicos integralistas, do outro um republicano maçon e da carbonária.

Junte-se a costela espanhola, vai ao forno na marinada acima descrita. 


Pois bem, saiu isto!



domingo, janeiro 16, 2011

Escrever?

Queria tanto, mas tanto, tanto, escrever bem...
Palavras, frases, textos, bocados de frases e textos emaranham-se na mente durante semanas, meses, nos sítios e alturas mais inesperados.(que frase mais banal)
Hesitante, tento finalmente passar ao acto. Escrevo. Em papel, normalmente. Cansada do esforço, leio orgulhosa. Depois, releio e corrijo. Releio e corrijo. Releio e corrijo. Cada vez que releio mais me parece banal, possidónio, presunçoso, infantil. Corrijo. Desisto.
Ser funcionária pública fez-me perder vocabulário? Mesmo lendo? Perco o meu tempo na banalidade do dia a dia e não me esforço para não perder ligação à língua?
Mas perdi.
Agora tento reler o que lia aos 16, o que percebia aos 16... Infelizmente não cresci intelectualmente. Decresci. Era tão interessante e culta aos 16... Porque desapareci?
Mea culpa? Provavelmente.
Tenho 2 livros por escrever, aguardando a reforma, que me parece cada vez mais longínqua, e agora sinto que outrém os deverá escrever, não eu.
Então, deleito-me a ler outros, invejosa e triste de não ser capaz... A sombra dos que me precederam esmaga-me. Nunca estarei à altura e isso tolhe-me, censura-me... Que não seja desculpa.
Queria mesmo escrever bem... Gostar do que escrevo.
É raro. Tenho pena.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Prós e contras de hoje (e ontem...)

Interessante o debate hoje...porque interessantes os protagonistas.

Concordo com as propostas do Dr. António Barreto, para a refundição pedida pelo Prof. Adriano Moreira, mas quem sou eu?

Apenas umas achegas, das minhas. O espectro político em Portugal é muito redutor, muito mesmo. Praticamente nunca senti lá, na Assembleia, a minha voz. E como eu há muitos...

Há anos que voto em consciência, nunca voto útil, mas o triste facto é que em quem voto vê-se espartilhado pelo domínio dos agora sempiternos 5, ditado pelo método de Hondt.

Não sei se chega o deputado nominal e o fim da disciplina partidária para mudar o status quo...

E o bando dos 5 vai cerrar fileiras para que nada mude, especialmente uma lei eleitoral que os mantém perto dos seus sonhos de poder, e alimenta as suas avidezes e ganâncias.

domingo, setembro 26, 2010

Me

Raiva,
Fúria,
muita...
Contida,
retida,
detida,
até que...
Uma
pequena
minúscula,
ridícula
faísca, 
faz
PUM!
Não falemos mais disso...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

LIVROS EM TRÂNSITO


·        Le Périple de Baldassare – Amin Maalouf (Le Livre de Poche da Grasset)
Dava um excelente filme!
Uma aventura no séc.XVII, emocionante e cómica ao mesmo tempo, de um comerciante de Gibelet (condado de Tripoli) de ascendência genovesa (ir à Enciclopédia ver mais sobre a História da zona e descobrir por exemplo, os apelidos que o escritor usou…)
Viagem que nos leva a muitos sítios, de Constantinopla passando por Chipre, Génova, Lisboa e até à Londres do Grande Incêndio.
Como desculpa, a procura do livro que revelaria o centésimo nome de Deus, no ano que seria o ano do fim do mundo.

·        Os homens que odeiam as mulheresStieg Larsson (Oceanos)
Viciante…

·        At Swim-Two-Birds – Flann O’Brien – Modern Classics da Penguin
Tão difícil de ler, mas tão difícil, que nem sei quanto vou demorar. Vou lendo aos poucos!
História de um rapaz que alegadamente está a escrever um livro e nos apresenta as suas personagens fantasiosas mas cómicas e uma visão sarcástica do seu mundo.
Escrito de forma original: a forma como vão sendo introduzidas no enredo as personagens do outro "livro".

sábado, fevereiro 13, 2010

Tia Catuxa


Ambas em dia não? Raro...
Conheci-a e ao tio João José com os meus 18 anos. Namorava (casei com) um sobrinho...
Adoptámo-nos.
No mesmo abraço fui adoptada pelos filhos, mais velhos e mais novos do que eu.
Acho que aconteceu a muitas e muitos outros, antes ou depois. E estas adopções são para a vida...
Longas tardes e noites de conversa, de canastadas, de brincar, de improvisar, de só estar.
Tinha direito a tudo: sorrisos, ralhetes, risos, sarcasmos, beijinhos, ordens, abraços, caretas (adorava as caretas), tarefas distribuídas, cumplicidades...
Voz e riso inconfundíveis. Frontalidade e delicadeza simultâneas. Refilava, refilava, mas o coração acabava por derreter. Num minuto general, no seguinte anjo protector.
Aprendi o que é uma casa sã, um casamento verdadeiro, a vocação de mãe... Quando nasceu a Marta, claro que passou a fazer parte do clã.
Tinha um abraço do tamanho do mundo, onde cabiam todos os filhos (concerteza agora os netos) e ainda nós... os adoptados.
Inspiradora sem dúvida, tenho medo de a poder ter desiludido.
Continua aqui, Tia, connosco, e por isso também comigo e com a Marta, porque...nós nos adoptámos, e isso é para sempre.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Sesta dos Raposos


Porque choro?
Porque sou fraca?
Ponto final.
Não quero

Ano Novo

Odeio a ideia do divertimento à força. Não é o meu género.Reveillons não é mesmo comigo.

Divirto-me todos os dias, todos os segundos! Estou até classificada de meia tonta.
Mas confesso...
Uma coisa é náo querer ir, outra é nem sequer ser convidada...
E cheguei à conclusáo de que consigo ser, apesar de uma personalidade tão forte como todos dizem, invisível!
Não me tinha apercebido deste poder, e gostava de o utilizar em variadissimas situações no trabalho, mas acho que é precisamente aí que não sou invisível (bolas!).
Quanto à parte social ainda estou a tentar perceber, e já lá vão muitos anos, o que se passa comigo.
Sou gorda, sim, mas não peso 100kg e mesmo isso contribuiria para se lembrarem...
Quando vejo o espelho a imagem não é assim  tão repugnante
Sou tímida à primeira e demasiado pra frentex á segunda
Não tenho pachorra para conversa social, gosto é de observar (é isto?)
Pufff
Lembrei-me eu, a loira momentânea...
Sou insípida!!!

Desculpem-me mas se há coisa que não quero ser é insípida!
Sou?

segunda-feira, dezembro 28, 2009

I'm down,
really down
Can you wake me up?
Can you?
No...
I'll wake up alone
And give you all
The virus of life

domingo, dezembro 20, 2009

Se calhar

Se calhar, não sou
Se calhar, não vejo
Se calhar, invento
Se calhar, rebento
Se calhar, danço
Se calhar, balanço
Se calhar, saio
Se calhar, destruo
Se calhar, vou dizer não
Se calhar, vou voar
Se calhar, vou escrever
Se calhar, vou amar
Se calhar, vou ser feliz
Um dia...

28/02/09

segunda-feira, novembro 05, 2007

ILUSÕES

Um dia, de pura paixão platónica, achei que tinha escrito um poema razoável (não sei porquê mas sai sempre em francês e por isso pode ter erros):

Je te trouverai même au bout du monde.
Ne fuis pas ton destin...
Je t'attraperai jusqu'avant le précipice.
Ou alors,
je me jeterrai,
et des ailes jailliront juste pour voler avec toi...

Orgulhosa q.b., dirijo-me ao meu maior crítico, o meu irmão mais novo.

Silêncio... "Bom, não está mal..."

Uns dias depois, recebo um pequeno papel:

Jours devenus moments, moments filés de soie
Agréables soupirs, pleurs enfants de la joie
Voeux, serments et regards, transports, ravissements
Mélange dont on se fait le bonheur des amants

La Fontaine

Pronto, desisto...
Quem me manda a mim ter veleidades?

FERNANDO QUINTAIS - JOÃO CAMOSSA

Por falta de comparência, este blogue começa a ficar parecido com uma página de elogios fúnebres, mas é mesmo assim.

Não consigo ficar calada com a morte de dois amigos meus, tão próximas uma da outra.

Fernando Quintais, de quem já tinha falado em ocasião anterior, era uma das pessoas a quem escrevia cartas, mentalmente, a quem queria agradecer o livro que me ofereceu e que li devotamente, nas minhas viagens de metro até ao trabalho, a quem queria agradecer o ter sido o meu "patrono" num trabalho da faculdade, a paciência e condescendência com que sempre me aturou, desde a adolescência até já aos vinte e tal anos, a sua calma, ponderação, bondade...

Não vou nem posso esquecer...

João Camossa foi outro protector, noutro estilo.
Desafiador, de imensa sabedoria e sarcástico, nunca deixava de ter a última palavra.
Arranjou-me logo uma alcunha: "Cigana maldita" e parecia ter prazer em rematar a argumentação com o cognome.
Algures, no caos da minha desorganização documental, tenho rimas propósito de uma célebre canção sobre Vasco Gonçalves, que tentei, na minha teimosa adolescência, desconstruir.
Tanto insisti, teimei, manobrei, que os "meus " intelectuais, com a sua própria letra, escreveram quadras. Que me lembre, eram: Henrique Barrilaro Ruas (o meu santo), António Borges de Carvalho (o "porreiro") e claro, o mais cáustico, João Camossa.

Também não posso nem o vou esquecer...

domingo, agosto 20, 2006

Cartas

Passo a vida a escrever cartas...
Todos os dias...todas as noites.
Umas inteiras, desde a data até à assinatura, incluindo o post scriptum.
Outras apenas parágrafos, e outras ainda só mesmo frases.
Umas resultantes de fúria, indignação, revolta...
De situações com taxistas, lojistas, funcionários, televisões, jornais...
A maior parte de agradecimento...
Ao Vasco Vieira de Almeida, por de alguma forma (muito ternurenta) ter substituido o meu pai e nunca o ter esquecido, ao Alçada Baptista, por sem saber, fazer parte da minha família, ele, as suas histórias e as das suas tias, ao Amin Maalouf, por ter escrito das coisas que mais gostei e aparecer com o maravilhoso Origines, e de um modo estranho me fazer sentir ligada ao Líbano (tal como me sinto em relação à Irlanda...), ao Fernando Quintais, que meu patrono, me deu o seu livro tão do meu agrado (nem ele sabe quanto).
Ainda há mais, mas estes são os recorrentes...
Nunca as escrevo realmente...
Apenas têm forma fugaz antes de adormecer, como que promessa de um amanhã epistolar.

Lido isto, parece-me possidónio mas é assim...

segunda-feira, dezembro 26, 2005

VÍTOR HUGO


Muito mal tirada, de telemóvel, mas fui eu que a tirei outro dia...

Tio Vítor, como lhe chamava, desde que soube que tinha sido muito amigo de um tio meu.
Única pessoa autorizada a chamar-me Nônô.
Foi-se embora, deixou-nos, e nem me despedi…
A pensar que lhe ia fazer uma surpresa, fui ao hospital dia 24, para lhe dar um beijinho de Natal.
Andei louca à procura, espreitando pelas janelas do corredor da UCI a ver se o via, esperando que já estivesse numa enfermaria normal, até que uma enfermeira me faz a surpresa a mim e me dá a notícia.
Assim.
Não estava preparada, mas quem é que está?
As lágrimas não deixaram ainda de correr, não sei o que diga, o que pense, o que faça.
Conheci-o no Pedro V.
Agora, sempre que lá for, vou ficar à espera que apareça a qualquer momento, à espera da sua voz característica, que se sente ao balcão a meu lado para comer uns pastéis de bacalhau com arroz de tomate ou umas favas novas…
À espera da conversa, sobre o Benfica, sobre a política, sobre as suas jogadoras, sobre o filho, sobre tudo e sobre nada, sempre com um humor algo sarcástico sobre o que se passava à sua volta.
Vou ter saudades… Vamos todos ter saudades…
Faz muita falta e não o esqueço, tio Vítor.
Perdoe-me não escrever bem.
Continuamos a conversa noutra altura.

domingo, dezembro 05, 2004


Sem palavras...

Posso estar chateada?

Mesmo com tudo?
É o que apetece, quando se assiste à dança das cadeiras...
Que pena não termos políticos que discutam ideias à séria, que estimulem o povo de alguma forma, sem os facilitismos da demagogia (assim qualquer um...).
Todos os "grandes partidos" tendem a apostar nos eleitores urbanos porque supostamente mais esclarecidos. Na minha opinião são os que mais facilmente embarcam na demagogia e que se estão nas tintas para os ideais.
A culpa do desinteresse pela política está nos próprios partidos grandes...a quem não interessam outras vozes no Parlamento.
O que transparece pela Comunicação Social é que só temos 4 partidos em que votar, e às vezes mesmo dão a entender que são só 2... E diz-se que lobbies só há nos EUA...
Qual é o problema de existirem 10 vozes diferentes no Parlamento? Não será mais democrático? Não espelha melhor a sociedade? Porque convencer as pessoas que não vale a pena votar nos partidos pequenos? Claro que o método de Hondt é fatal, mas alguém tem de começar a contestar, sob pena de sufocar todos os que não se revêm nos 5 partidos...

segunda-feira, novembro 08, 2004

Os filhos de Ramires

Já devia ter falado deste livro, lançado há uns dias na Livraria Ler Devagar, pela editora Nova Ática, mas confesso que tive preguiça...
É imperdoável, tanto mais que o livro me diz muito e era ansiosamente esperado. Foi um parto difícil mas valeu a pena... Que o diga o José Manuel Quintas.
Como disse na sua apresentação minha sabedora mãe, este livro era necessário, porque havia que repor a verdade sobre o Integralismo Lusitano.
Ainda bem...
Comprei um exemplar e comecei a lê-lo, mas acabei por oferecê-lo a quem era digno de o ler, e agora aguardo o tal exemplar autografado ;-)
Deus permita que seja lido por muita e boa gente, que finalmente consiga perceber a importância do Integralismo Lusitano na sua época e na sua fácil adaptação à realidade actual.
Quando a doutrina tem bases sólidas e lógicas é sempre intemporal...

quarta-feira, setembro 29, 2004

Leitura recomendada (vale pelo que vale...)

Ao voltar de férias, nem por sombra de tigre como esperava, mas antes de "mulher à beira de um ataque de nervos", o que sendo o meu estado habitual, nada abona em favor da qualidade do descanso (ou antes, do anti-descanso), não quero deixar de recomendar a leitura de um livro que me foi emprestado pelo meu irmão Francisco, sábio conhecedor dos meus gostos...

Não me parece que esteja traduzido em português (provávelmente nunca o será) e já não é novidade (Éditions Robert Laffont SA 1997 - "livre de poche"), mas não deixa de ser importante referi-lo.

Trata-se do livro de Frédéric Mitterand, "Les Aigles foudroyés" cujo subtítulo se revela bem esclarecedor: "La fin des Romanov, des Habsbourg et des Hohenzollern".

Pode até ser considerado deprimente por alguns (esperem só pela referência futura ao livro que é a sua sequela...), mas descontando alguns óbvios ódios de estimação do autor (a Imperatriz Sissi e o Príncipe de Montenuovo, por exemplo), e também os seus amores de estimação (Franz Ferdinand), Frédéric Mitterand consegue com habilidade prender-nos facilmente a atenção com as descrições das situações políticas e sociais, ambientes, tricas e teorias, algumas até inesperadas.

Não lhe perdoo ter falado tão bem de uma Princesa portuguesa, madrasta de Franz Ferdinand, e que sempre o apoiou, sem nunca a nomear...
Se não foi de propósito revela pobre pesquisa (duvido); se foi, então demonstra puro desprezo pelo país, porque da Princesa diz maravilhas.
Será que alguém lhe pode dizer que era a Infanta D. Maria Teresa de Bragança, filha de D. Miguel?

Enfim, um livro que pode agradar a quem pouco sabe mas se interessa pelos antecedentes da 1ª Guerra.
Mesmo quem pensa que já sabe tudo, não pode deixar de ficar rendido à simples mas eficaz forma de contar a História (e pode aproveitar para anotar as discordâncias, criticar subjectividades ou até dizer mal por dizer mal).

Eu gostei.



quinta-feira, agosto 19, 2004


Vou ter férias de tigre...

Zangada com ex colaborador mas de férias...

Após vários contratempos com o meu PC, pude finalmente voltar, sabendo de antemão que PFL tinha desertado... Típico e nada congruente com quem defende altos ideais! Paciência... o nível do blogue vai ficar baixote.
Na política continuam as novelas do costume nesta República que consegue ter um nível ainda mais baixo do que este blogue.
Até o desporto segue o nível da política (ou será o inverso?).
Vou descansar (também trabalhar), pôr as ideias em dia e tentar no regresso ser mais pontual, mais interessante e acutilante.
Promessas!!

E se fizesse crítica a escritos de amigos, como faz o EPC (daquelas inodoras e insípidas, nem carne nem peixe, mas com muito cheiro a intelectual e cheia de citações) ?
Fácil de mais?

terça-feira, maio 25, 2004

Resposta a comentários aqui e já

1 - Isso de o lobo poder ser uma loba e relacionar tudo com Rómulo e Remo e criação de Roma, é uma extrapolação bonita e grandiosa demais. Ainda tenho humildade suficiente para saber o que pode valer o blogue... Fiquemos por uma simples mas bonita Portalegre... (se falasse da transformação da Porcalhota em Amadora matavam-me e eu nem queria falar dessa degeneração). Não deixo de ficar babada pela comparação...
2- Essa de Espanha não vir nem bom vento nem bom casamento só pode ser verificável cientificamente na sua primeira parte. No que me diz respeito, penso ser um bom exemplar, entre muitissimos outros, de que são mais as excepções do que as regras e nunca me impediu de ser uma patriota convicta (peço é desculpa de não gostar nem do hino nem da bandeira mas sou minoria...)

domingo, maio 23, 2004

Casamento!!

Sendo eu monárquica convicta (não perguntem porquê que eu respondo código genético!), acho de uma grande hipocrisia os nossos "media".

Então não é que passam 364 dias a dizer mal da Monarquia, a maior parte das vezes com indirectas foleiras, e no dia do casamento do Príncipe de Espanha ficam todos derretidos?

Afinal...

terça-feira, maio 18, 2004

O que vai ser...

Que me desculpe a mãe *, mas não sendo eu intelectual, não vai ler aqui grandes escritos iluminados.
* (vide link ao lado)

Para ter interesse e ser lido, parece existir a pressão de que um blogue deve ser(será?)quase específico, especializado, estanque.

Pode também pensar-se que há o género (classe, espécie ou o que quiserem): blogue político, blogue humorístico... E em espécies por género.

Até parece que me fartei de ler blogues!!!
(Atenção que é sempre assim: opiniões atiradas à toa, pensadas nos segundos que levam a escrever, apresentadas como se fossem resultado de reflexão intensa de toda uma vida, correndo o risco de parecer uma tonta)

Sendo eclética militante, o que prejudica com certeza a sabedoria, o que eu e possivelmente outros (malucos)aqui escreverão pode e deve abranger tudo (quer dizer...bem...veremos)porque o que vivemos é mesmo a soma e não as parcelas.

Comecei!!

Como se costuma dizer, o programa segue dentro de momentos.

Em português ou à portuguesa, pode querer dizer bastante tempo...