domingo, fevereiro 20, 2011

Utopie

C'est l'Utopie, notre amie, notre camarade,
Des terribles moments passés, enfermés,
Dans un lieu de châtiment.

Oui, c'est elle qui nous aide à vivre,
Et à survivre
Dans une minuscule cellule,
D’une toute petite maison,
Microscopique point de l'Univers...


1976?
A propósito de uma conferência da mãe no PPM sobre a Utopia (a do Tomas More e outras)

Lido e visto

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Encosto

Uns certos 5 minutos e meio cada mês ou cada 2 meses, eu, que adoro estar sozinha, confesso, após tortura, que sinto falta de companhia.

E estranhamente, já nem me interessa que seja companhia para conversar, uma das minhas eternas queixas.

Não.

Agora, pelo menos de vez em quando, só queria alguém a quem me encostar. Sem falar. Sem gestos.

Só encosto.

sábado, fevereiro 12, 2011

O Autocarro

(Pedaços de qualquer coisa que ainda hei-de acabar, talvez em forma de diálogos)

Não há como andar de autocarro...

O metropolitano é da elite, o metro é chique, o autocarro é do povo.

Do meu povo, não da burguesia, complexada, complicada...

A burguesia média, baixa, alta ou a que aspira a ser burguesia, só anda de transporte público se não tem mesmo outro remédio. E quando tem de ser, é de metro.

Andar de carro dá status.

Para usufruir de uma hora de lazer no Bairro Alto, são capazes de andar às voltas outras duas, procurando desesperadamente qualquer buraco para estacionar e arriscar a que na volta as rodas estejam bloqueadas.

Acarinham-no como se fosse o animal de estimação da família, com capas cinzentas protectoras, escovam-no suavemente aos fins-de-semana, e só não o levam para a cama porque não cabe no elevador... Na minha rua estacionam-no no passeio mesmo em frente da porta, para não o perder de vista, e calculo que o vão espreitar à varanda de vez em quando, lançando olhares ternurentos e cúmplices.

O autocarro, esse, é do povo.

Do povo que refila, se queixa, se ampara, quando o condutor não espera e não lhes liga.

Do povo que ouve pacientemente do vizinho da frente queixas de operações médicas feitas e por fazer, e contrapõe com operações maiores e piores, numa eterna batalha à procura da medalha de mérito por desgraças...

Do povo que faz questão mesmo que toda a gente saiba que o seu neto Iuri (não é lindo, o nome? Fui eu que escolhi!) é a criatura mais prodigiosa à face da terra, ainda não descoberta, mas já em castings para a próxima novela.

Do adolescente com excrescências nos ouvidos, das quais nos chegam não as músicas, mas já só os ritmos, tchibum tchibum tchibumbum, tchibum tchibum tchibumbum, cópia barata dos carros ao lado, que nos presenteiam, de vidros abertos, qual discoteca privada ambulante, com a música pimba ou afro mais recente.

Da concorrência aberta e feroz entre velhotas e crianças numa ânsia de serem os primeiros a pressionar o botão para parar, ainda o autocarro não saiu da paragem anterior.

Do povo que se indigna com o que avalia como injustiças, seja do condutor, dos jovens que não dão o lugar, das mudanças e encurtamento de trajectos, da vida, em geral e em particular.

Do povo que anuncia o Outono no autocarro com o cheiro a naftalina do casaco acabado de tirar do armário.

Dos silêncios repentinamente quebrados com comentários aguerridos contra os governos, centrais e locais, bastando que alguém se lembre de começar.

Da solidariedade espontânea para com quem não sabe onde há-de sair, com indicações precisas e contraditórias de todos sobre a paragem, as ligações, o número do autocarro a apanhar, os metros a percorrer a pé até ao destino, e de como a discussão passa a conversa sobre os bons velhos tempos em que uma sardinha era dividida por sete, o bilhete custava 25 tostões, os jovens eram educados, o dinheiro era pouco mas chegava, o começar a trabalhar aos 11, as galinhas e vacas não eram hormonas...

Se um estrangeiro entra no autocarro num desses momentos há-de pensar que todos se conhecem há longa data.

É a comunidade efémera do mesmo percurso diário, que se esvai quando as portas se abrem...


10/03/06 e 12/02/11


quinta-feira, janeiro 27, 2011

Já percebi porque as minhas posições políticas parecem estranhas quiçá bizarras.

É genético! 

De um lado, monárquicos integralistas, do outro um republicano maçon e da carbonária.

Junte-se a costela espanhola, vai ao forno na marinada acima descrita. 


Pois bem, saiu isto!



domingo, janeiro 16, 2011

Escrever?

Queria tanto, mas tanto, tanto, escrever bem...
Palavras, frases, textos, bocados de frases e textos emaranham-se na mente durante semanas, meses, nos sítios e alturas mais inesperados.(que frase mais banal)
Hesitante, tento finalmente passar ao acto. Escrevo. Em papel, normalmente. Cansada do esforço, leio orgulhosa. Depois, releio e corrijo. Releio e corrijo. Releio e corrijo. Cada vez que releio mais me parece banal, possidónio, presunçoso, infantil. Corrijo. Desisto.
Ser funcionária pública fez-me perder vocabulário? Mesmo lendo? Perco o meu tempo na banalidade do dia a dia e não me esforço para não perder ligação à língua?
Mas perdi.
Agora tento reler o que lia aos 16, o que percebia aos 16... Infelizmente não cresci intelectualmente. Decresci. Era tão interessante e culta aos 16... Porque desapareci?
Mea culpa? Provavelmente.
Tenho 2 livros por escrever, aguardando a reforma, que me parece cada vez mais longínqua, e agora sinto que outrém os deverá escrever, não eu.
Então, deleito-me a ler outros, invejosa e triste de não ser capaz... A sombra dos que me precederam esmaga-me. Nunca estarei à altura e isso tolhe-me, censura-me... Que não seja desculpa.
Queria mesmo escrever bem... Gostar do que escrevo.
É raro. Tenho pena.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Prós e contras de hoje (e ontem...)

Interessante o debate hoje...porque interessantes os protagonistas.

Concordo com as propostas do Dr. António Barreto, para a refundição pedida pelo Prof. Adriano Moreira, mas quem sou eu?

Apenas umas achegas, das minhas. O espectro político em Portugal é muito redutor, muito mesmo. Praticamente nunca senti lá, na Assembleia, a minha voz. E como eu há muitos...

Há anos que voto em consciência, nunca voto útil, mas o triste facto é que em quem voto vê-se espartilhado pelo domínio dos agora sempiternos 5, ditado pelo método de Hondt.

Não sei se chega o deputado nominal e o fim da disciplina partidária para mudar o status quo...

E o bando dos 5 vai cerrar fileiras para que nada mude, especialmente uma lei eleitoral que os mantém perto dos seus sonhos de poder, e alimenta as suas avidezes e ganâncias.

domingo, setembro 26, 2010

Me

Raiva,
Fúria,
muita...
Contida,
retida,
detida,
até que...
Uma
pequena
minúscula,
ridícula
faísca, 
faz
PUM!
Não falemos mais disso...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

LIVROS EM TRÂNSITO


·        Le Périple de Baldassare – Amin Maalouf (Le Livre de Poche da Grasset)
Dava um excelente filme!
Uma aventura no séc.XVII, emocionante e cómica ao mesmo tempo, de um comerciante de Gibelet (condado de Tripoli) de ascendência genovesa (ir à Enciclopédia ver mais sobre a História da zona e descobrir por exemplo, os apelidos que o escritor usou…)
Viagem que nos leva a muitos sítios, de Constantinopla passando por Chipre, Génova, Lisboa e até à Londres do Grande Incêndio.
Como desculpa, a procura do livro que revelaria o centésimo nome de Deus, no ano que seria o ano do fim do mundo.

·        Os homens que odeiam as mulheresStieg Larsson (Oceanos)
Viciante…

·        At Swim-Two-Birds – Flann O’Brien – Modern Classics da Penguin
Tão difícil de ler, mas tão difícil, que nem sei quanto vou demorar. Vou lendo aos poucos!
História de um rapaz que alegadamente está a escrever um livro e nos apresenta as suas personagens fantasiosas mas cómicas e uma visão sarcástica do seu mundo.
Escrito de forma original: a forma como vão sendo introduzidas no enredo as personagens do outro "livro".

sábado, fevereiro 13, 2010

Tia Catuxa


Ambas em dia não? Raro...
Conheci-a e ao tio João José com os meus 18 anos. Namorava (casei com) um sobrinho...
Adoptámo-nos.
No mesmo abraço fui adoptada pelos filhos, mais velhos e mais novos do que eu.
Acho que aconteceu a muitas e muitos outros, antes ou depois. E estas adopções são para a vida...
Longas tardes e noites de conversa, de canastadas, de brincar, de improvisar, de só estar.
Tinha direito a tudo: sorrisos, ralhetes, risos, sarcasmos, beijinhos, ordens, abraços, caretas (adorava as caretas), tarefas distribuídas, cumplicidades...
Voz e riso inconfundíveis. Frontalidade e delicadeza simultâneas. Refilava, refilava, mas o coração acabava por derreter. Num minuto general, no seguinte anjo protector.
Aprendi o que é uma casa sã, um casamento verdadeiro, a vocação de mãe... Quando nasceu a Marta, claro que passou a fazer parte do clã.
Tinha um abraço do tamanho do mundo, onde cabiam todos os filhos (concerteza agora os netos) e ainda nós... os adoptados.
Inspiradora sem dúvida, tenho medo de a poder ter desiludido.
Continua aqui, Tia, connosco, e por isso também comigo e com a Marta, porque...nós nos adoptámos, e isso é para sempre.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Sesta dos Raposos


Porque choro?
Porque sou fraca?
Ponto final.
Não quero

Ano Novo

Odeio a ideia do divertimento à força. Não é o meu género.Reveillons não é mesmo comigo.

Divirto-me todos os dias, todos os segundos! Estou até classificada de meia tonta.
Mas confesso...
Uma coisa é náo querer ir, outra é nem sequer ser convidada...
E cheguei à conclusáo de que consigo ser, apesar de uma personalidade tão forte como todos dizem, invisível!
Não me tinha apercebido deste poder, e gostava de o utilizar em variadissimas situações no trabalho, mas acho que é precisamente aí que não sou invisível (bolas!).
Quanto à parte social ainda estou a tentar perceber, e já lá vão muitos anos, o que se passa comigo.
Sou gorda, sim, mas não peso 100kg e mesmo isso contribuiria para se lembrarem...
Quando vejo o espelho a imagem não é assim  tão repugnante
Sou tímida à primeira e demasiado pra frentex á segunda
Não tenho pachorra para conversa social, gosto é de observar (é isto?)
Pufff
Lembrei-me eu, a loira momentânea...
Sou insípida!!!

Desculpem-me mas se há coisa que não quero ser é insípida!
Sou?

segunda-feira, dezembro 28, 2009

I'm down,
really down
Can you wake me up?
Can you?
No...
I'll wake up alone
And give you all
The virus of life

domingo, dezembro 20, 2009

Se calhar

Se calhar, não sou
Se calhar, não vejo
Se calhar, invento
Se calhar, rebento
Se calhar, danço
Se calhar, balanço
Se calhar, saio
Se calhar, destruo
Se calhar, vou dizer não
Se calhar, vou voar
Se calhar, vou escrever
Se calhar, vou amar
Se calhar, vou ser feliz
Um dia...

28/02/09

segunda-feira, novembro 05, 2007

ILUSÕES

Um dia, de pura paixão platónica, achei que tinha escrito um poema razoável (não sei porquê mas sai sempre em francês e por isso pode ter erros):

Je te trouverai même au bout du monde.
Ne fuis pas ton destin...
Je t'attraperai jusqu'avant le précipice.
Ou alors,
je me jeterrai,
et des ailes jailliront juste pour voler avec toi...

Orgulhosa q.b., dirijo-me ao meu maior crítico, o meu irmão mais novo.

Silêncio... "Bom, não está mal..."

Uns dias depois, recebo um pequeno papel:

Jours devenus moments, moments filés de soie
Agréables soupirs, pleurs enfants de la joie
Voeux, serments et regards, transports, ravissements
Mélange dont on se fait le bonheur des amants

La Fontaine

Pronto, desisto...
Quem me manda a mim ter veleidades?